O setor de eventos voltados à geração de negócios injetou R$ 5,4 bilhões na economia da cidade de São Paulo entre janeiro e junho de 2025, segundo o levantamento semestral “Barômetro Ubrafe SPTuris”. O estudo, divulgado pela União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe) em parceria com a São Paulo Turismo (SPTuris), considera feiras setoriais, congressos, convenções e encontros corporativos com, no mínimo, 700 participantes cada.
O resultado representa acréscimo de R$ 1 bilhão em comparação com o mesmo período de 2024, quando o impacto econômico totalizou R$ 4,4 bilhões. O crescimento confirma a trajetória de retomada do mercado de eventos na capital paulista e destaca o papel do segmento B2B na movimentação de receita, geração de empregos e atração de visitantes.
Nos seis primeiros meses de 2025, foram realizados 612 eventos B2B desse porte, volume 19 % superior ao registrado de janeiro a junho do ano anterior, que somou 516 encontros. A expansão do calendário refletiu diretamente no fluxo de público: o estudo computou 3,2 milhões de visitantes únicos, alta de 14 % em relação aos 2,8 milhões do primeiro semestre de 2024.
Entre os participantes, 70 % (aproximadamente 2,2 milhões de pessoas) residem no estado de São Paulo e se deslocaram para a capital especificamente para esses eventos. Os demais 30 % equivalem a 1 milhão de turistas de negócios vindos de outras unidades da federação ou do exterior. O gasto médio desses visitantes, somado aos investimentos diretos na organização dos eventos, compõe o cálculo do impacto econômico anunciado pelo barômetro.
A pesquisa também detalha a distribuição dos eventos por formato. As atividades classificadas como Corporativas responderam por 69 % do total, mas concentraram apenas 15 % dos participantes. As Feiras Setoriais de Negócios, apesar de representarem 13 % das realizações, detiveram 70 % do público, evidenciando sua relevância na atração de visitantes e no potencial de geração de negócios presenciais. Os Congressos corresponderam a 10 % do conjunto de eventos e reuniram 5 % dos participantes. Por fim, as Convenções somaram 8 % da agenda e receberam 10 % do público B2B.
Segundo a Ubrafe, a combinação entre aumento do número de encontros, recuperação de feiras tradicionais e surgimento de novos formatos híbridos contribuiu para o avanço observado. Fatores como a infraestrutura de pavilhões, rede hoteleira, oferta de voos domésticos e internacionais e serviços de apoio foram apontados pela entidade como determinantes para a escolha de São Paulo como sede principal desses eventos.

Imagem: panrotas.com.br
O estudo ainda destaca o papel dos turistas de negócios na cadeia econômica local. Além de participarem das programações oficiais, esses visitantes costumam estender a permanência na cidade para atividades de lazer, incrementando segmentos como hotelaria, gastronomia, transporte terrestre e comércio. A SPTuris estima que a permanência média desse público ultrapassa três noites, com ticket médio diário acima da média do turismo de lazer convencional.
O presidente do conselho de administração da Ubrafe, Paulo Ventura, projeta que o ano de 2025 poderá encerrar com movimentação econômica próxima de R$ 12 bilhões na capital paulista. A previsão considera a realização de mais de 1.200 eventos B2B de grande porte e a presença de cerca de 8 milhões de participantes até dezembro. Caso confirmada, a projeção indicará praticamente o dobro do resultado obtido em 2024.
Na avaliação da entidade, a continuidade do crescimento depende de fatores como manutenção de investimentos em infraestrutura, segurança para organizadores e visitantes, e políticas públicas que estimulem o setor. Além disso, a tendência de internacionalização de feiras e a adoção de soluções digitais complementares aos encontros presenciais devem ampliar o alcance dos eventos sediados em São Paulo.
O “Barômetro Ubrafe SPTuris” é atualizado semestralmente e serve como termômetro para organizadores, expositores e investidores. Os dados consolidados referentes ao segundo semestre de 2025 serão divulgados no início de 2026, quando será possível verificar se as projeções de receita e público se confirmaram ao longo do ano.




