Tribunal dos EUA aprova acordo da Azul com a AerCap e rejeição de contratos de leasing

Leonardo Monteiro

O Tribunal de Falências dos Estados Unidos aprovou um conjunto de moções apresentadas pela Azul Linhas Aéreas no âmbito do processo conduzido sob o Capítulo 11. Entre os pedidos ratificados está o acordo firmado com a AerCap, considerada a maior arrendadora de aeronaves do mundo e principal credora da companhia aérea brasileira em obrigações de leasing. A decisão também autorizou a rejeição de diversos contratos de arrendamento e de outras naturezas que, segundo a Azul, não afetam a atual malha de rotas nem a disponibilidade de seus serviços.

A aprovação judicial representa mais um avanço no que a empresa define como “processo de transformação para o futuro”. De acordo com estimativas internas, o pacto com a AerCap deve gerar economia superior a US$ 1 bilhão em custos relacionados à operação e manutenção da frota. Ao mesmo tempo, a dispensa de contratos referentes a aeronaves e motores que já estavam fora de serviço promete reduzir despesas adicionais sem provocar alterações na frota total nem na capacidade de atendimento aos passageiros.

Os pedidos avaliados pelo tribunal foram concedidos sem registro de objeções formais de credores, fornecedores ou outras partes interessadas. A companhia atribui a ausência de contestações a uma postura colaborativa mantida com parceiros comerciais durante as negociações. Para a direção da Azul, a sinalização positiva da Justiça norte-americana facilita a execução do plano de reestruturação, cujo foco principal é otimizar a frota, cortar custos de longo prazo e reforçar a estrutura de capital.

O acordo com a AerCap abrange a revisão de condições de leasing de aeronaves que compõem parcela significativa da frota da Azul. Ao renegociar prazos, valores e termos de manutenção, a empresa espera ampliar a flexibilidade operacional e concentrar recursos em unidades mais eficientes em consumo de combustível e geração de receita. Parte das economias previstas deve ser canalizada para investimentos futuros em equipe, tecnologia e renovação de aviões.

Além do entendimento com a AerCap, foram autorizadas a rescisão de múltiplos contratos de leasing e de acordos acessórios ligados a motores, peças de reposição e serviços correlatos. Os itens contemplados eram considerados ociosos, pois as aeronaves correspondentes não se encontravam em operação regular. A Azul informou que a retirada desses compromissos do balanço não afetará o número de assentos ofertados nem implicará cancelamento de voos ou fechamento de bases.

A companhia reafirma que a otimização de frota constitui pilar central da estratégia delineada no Capítulo 11. Esse capítulo da legislação norte-americana de falências permite que empresas estrangeiras reestruturem dívidas e contratos sob supervisão judicial, mantendo as atividades cotidianas em funcionamento. Desde o ingresso no processo, a Azul vem negociando com arrendadores, instituições financeiras e fornecedores na tentativa de alinhar prazos e condições de pagamento às projeções de fluxo de caixa pós-pandemia.

Tribunal dos EUA aprova acordo da Azul com a AerCap e rejeição de contratos de leasing - Imagem do artigo original

Imagem: panrotas.com.br

Segundo a empresa, a aprovação das moções reforça a trajetória de recuperação iniciada após os impactos econômicos causados pela crise de saúde global. Embora a demanda doméstica mostre sinais de retomada no Brasil, a diretoria avalia que ajustes estruturais são indispensáveis para garantir competitividade em médio e longo prazos, sobretudo diante da volatilidade cambial e da elevação do preço do combustível de aviação.

Com a decisão favorável do tribunal, a Azul passa à fase de implementação efetiva dos termos negociados. Nos próximos meses, a companhia pretende concluir a retirada de aeronaves não utilizadas de seu portfólio de leasing e consolidar as condições revisadas com seus principais credores. A administração reforça que os voos seguirão sendo operados normalmente durante todas as etapas do processo de reestruturação.

A direção da Azul destaca ainda que a reconfiguração da frota deve ampliar a capacidade de reinvestir em projetos estratégicos, incluindo a expansão de rotas regionais e internacionais, melhorias no atendimento ao cliente e iniciativas de sustentabilidade. Ao mesmo tempo, a empresa permanece em diálogo com outras partes interessadas para, conforme descreve, “fortalecer a organização e posicioná-la para o futuro”.

Uma vez concluída a renegociação com a AerCap e a exclusão dos contratos considerados excedentes, a Azul espera encerrar o processo do Capítulo 11 em prazo que ainda será submetido à aprovação judicial. A companhia acredita que a conclusão bem-sucedida da reestruturação proporcionará bases financeiras mais sólidas e maior flexibilidade para enfrentar a concorrência no mercado aéreo brasileiro.

Compartilhe este artigo
Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
Nenhum comentário