A Air Canada confirmou, neste domingo, 17 de agosto de 2025, que manterá a suspensão de seus voos regulares depois que o Sindicato Canadense dos Empregados Públicos (CUPE), representante dos comissários de bordo, orientou a categoria a não acatar a determinação do Canada Industrial Relations Board (CIRB) para retorno imediato ao trabalho. A decisão da companhia adia a retomada de aproximadamente 240 operações que estavam previstas para a tarde de hoje, afetando milhares de passageiros em pleno pico da temporada de verão no Hemisfério Norte.
A paralisação teve início no sábado, 16 de agosto, quando o sindicato deflagrou greve em protesto contra impasses nas negociações trabalhistas. Em resposta, a Air Canada declarou lockout e suspendeu todos os voos de suas marcas principal e Rouge. O governo federal, buscando mitigar os impactos sobre a malha aérea nacional e internacional, acionou o CIRB e solicitou uma ordem que encerrasse tanto a greve quanto o bloqueio patronal.
O órgão de regulação atendeu à solicitação governamental e emitiu, ainda no sábado, uma decisão obrigando a volta imediata ao trabalho. A medida visava permitir que cerca de 240 voos fossem restabelecidos já neste domingo. No entanto, a orientação do CUPE para que os comissários permanecessem fora de serviço inviabilizou a execução do plano emergencial, forçando a companhia a estender os cancelamentos.
Em condições normais, a Air Canada opera aproximadamente 700 voos diários, distribuídos entre rotas domésticas, transfronteiriças e intercontinentais. Com a paralisação estendida por pelo menos mais 24 horas, a empresa vê sua capacidade reduzida a pouco mais de um terço, comprometendo conexões em hubs como Toronto, Montreal e Vancouver. Passageiros que se dirigiram aos aeroportos na expectativa de embarcar foram orientados a buscar apoio nos balcões de atendimento ou por meio dos canais digitais da companhia.
A empresa pediu que clientes com viagens marcadas para os próximos dias não se desloquem aos terminais sem confirmação prévia de status de voo. Segundo comunicado oficial, a central de reservas, o aplicativo e o site corporativo estão sendo atualizados em tempo real, mas o volume de solicitações gera filas virtuais e sobrecarga nos serviços de atendimento telefônico.
Para minimizar prejuízos, a Air Canada oferece três alternativas aos passageiros impactados: reembolso integral do bilhete, crédito para uso futuro ou reacomodação em voos de outras companhias. A realocação, entretanto, está sujeita à disponibilidade limitada típica do verão, período em que a ocupação das aeronaves costuma atingir níveis próximos ao máximo.

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Subsidiárias regionais e parceiras, como a Air Canada Express — operada pela Jazz Aviation e pela PAL Airlines —, seguem operando normalmente. Essas operações, voltadas a rotas de menor densidade dentro do Canadá, não foram incluídas no escopo da greve nem do lockout, permitindo alguma conectividade entre cidades menores e os principais centros do país.
Embora não haja previsão exata para restabelecimento completo da malha, a companhia informou que pretende reiniciar gradualmente as ligações a partir da noite de segunda-feira, 18 de agosto, caso o sindicato cumpra a ordem judicial. A direção da Air Canada declarou estar em diálogo contínuo com autoridades trabalhistas para alcançar um acordo que restabeleça “a normalidade operacional no menor prazo possível”.
Enquanto o impasse permanece, especialistas do setor estimam que o impacto financeiro da paralisação possa ultrapassar milhões de dólares em receita perdida, além de afetar a confiança dos viajantes em um momento de recuperação da demanda pós-pandemia. O governo federal reiterou que acompanha de perto a situação e mantém canais abertos para mediação entre as partes.
A orientação oficial da companhia permanece: passageiros devem consultar a confirmação de seus voos antes de se deslocarem, observar as opções oferecidas para remarcação ou reembolso e manter-se atentos às atualizações nos canais de comunicação da Air Canada.




