Violência continua guiando escolhas de viagem de brasileiros, indica levantamento

Leonardo Monteiro

As preocupações com violência seguem determinantes no planejamento de férias dos brasileiros. Pesquisa realizada pela DeÔnibus com viajantes de todas as regiões do país mostra que, antes de definir o próximo destino, 40 % dos entrevistados avaliam o nível de risco de cada local, considerando a possibilidade de assaltos, golpes ou a simples circulação à noite ou em áreas isoladas.

Rio, São Paulo e Bahia concentram maior sensação de insegurança

Entre os destinos nacionais, três estados aparecem como foco de apreensão. Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia lideram o ranking de lugares onde os turistas se sentem mais vulneráveis em 2025, reforçando a influência dos altos índices de criminalidade sobre a decisão de viajar. Nessas localidades, parte dos entrevistados declara evitar passeios noturnos, reduzir deslocamentos a pé e selecionar com mais cuidado pontos turísticos e meios de hospedagem.

Os dados do estudo indicam que a violência já impactou diretamente a experiência de 29 % dos participantes, vítimas de roubo ou furto durante viagens anteriores. Outros 14 % relatam ter caído em golpes direcionados a visitantes, enquanto 15 % sofreram assédio ou discriminação. Ao todo, 97 % admitem ter passado por algum susto fora de sua cidade de origem, incluindo hospedagem em áreas consideradas perigosas (27&nbsp%).

Medo modifica roteiros e restringe passeios

O receio de ser alvo de crimes levou quatro em cada dez brasileiros a cancelar ou reduzir atividades turísticas. Para muitos, o itinerário é ajustado de acordo com recomendações de moradores, avaliações de outros viajantes e notícias sobre segurança pública. A aversão mais comum envolve caminhar sozinho depois de anoitecer: 60 % evitam esse tipo de deslocamento, e a mesma proporção afirma só se hospedar em locais que ofereçam estruturas consideradas seguras.

O hábito de exibir pertences valiosos também é revisto com frequência. Segundo o levantamento, 57 % preferem manter celulares, câmeras e joias fora de vista em espaços públicos. Metade evita portar grandes quantidades de dinheiro físico em regiões movimentadas, optando por cartões ou meios digitais de pagamento. Já 40 % adotam o compartilhamento de localização em tempo real e contato regular com familiares, prática apontada como essencial para mulheres, idosos, pessoas com deficiência e outros perfis considerados mais suscetíveis.

Boas práticas para reduzir riscos

Perguntados sobre a principal estratégia para driblar imprevistos, 71 % apontam a pesquisa detalhada do destino como passo crucial antes de fechar passagens, hospedagem ou pacotes turísticos. A consulta a fóruns, redes sociais e notícias recentes amplia o conhecimento sobre regiões mais perigosas, horários recomendados para visitas e alternativas de transporte.

Na etapa seguinte, a escolha de acomodações bem avaliadas e próximas de vias movimentadas é indicada por 60 % do grupo. Plataformas reconhecidas de reserva, aliadas à verificação de comentários de hóspedes, ajudam a reduzir a chance de hospedagem em áreas de risco. Em deslocamentos urbanos, a preferência recai sobre aplicativos de transporte ou veículos particulares, embora a pesquisa não trate especificamente desse índice.

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Imagem: panrotas.com.br

Rodoviárias recebem aprovação, mas melhorias são solicitadas

Quando o assunto é viagem terrestre, a maioria declara sentir-se segura nos terminais rodoviários. Ainda assim, 25 % acreditam que o ambiente precisa de ajustes para oferecer proteção adequada. Entre as sugestões, 68 % desejam mais agentes de segurança circulando, 64 % defendem vigilância reforçada com câmeras em pontos estratégicos e 63 % pedem iluminação interna e externa mais potente.

Quanto aos ônibus, os passageiros destacam manutenção constante e revisão dos veículos como prioridade (65 %). Equipar frota com câmeras e sensores aparece em seguida (60 %), empatado com a necessidade de equipes treinadas para atendimento eficiente e orientação ao usuário (60 %).

Impacto da insegurança no setor de turismo

O levantamento evidencia que o temor da violência influencia diretamente o fluxo turístico interno, pressionando prestadores de serviços a reforçar políticas de segurança. Empresas de transporte, hotéis, restaurantes e organizadores de passeios adaptam ofertas para atender a comportamentos que privilegiam previsibilidade e proteção.

Nesse cenário, a escolha de passagens aéreas em companhias reconhecidas, o aluguel de veículos para deslocamentos controlados e a seleção cuidadosa de hospedagens bem avaliadas tornam-se etapas consideradas fundamentais pelos entrevistados. A tendência demonstra que, embora o desejo de viajar permaneça, a segurança figura como critério decisivo, capaz de alterar roteiros, mídias de transporte e até a duração das estadias.

Para especialistas do setor, a consolidação dessas práticas deve continuar nos próximos anos, acompanhada pela demanda por informações atualizadas sobre criminalidade, infraestrutura turística e experiências de outros viajantes. O estudo conclui que estratégias preventivas, somadas ao investimento público e privado em segurança, podem mitigar o impacto da violência na escolha de destinos e contribuir para a recuperação plena do turismo nacional.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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