O Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro, passará por uma nova reorganização societária após 12 anos de concessão. A gestora de investimentos Vinci Compass firmou acordo para adquirir 70% da participação da singapurense Changi Airports International na RIOgaleão, empresa responsável pela operação do terminal desde 2013.
Alteração acionária
Com a transação, a fatia da Changi cai de 51% para 15,3%. A Vinci Compass ingressa no quadro com 35,7%, tornando-se a maior acionista privada imediatamente após a conclusão do negócio. A Infraero permanece com os 49% já detidos desde o início da concessão.
O acordo ainda precisa do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Somente depois dessas aprovações o novo arranjo societário entrará em vigor.
Próximo leilão em 2026
A parcela da Infraero, correspondente a 49% do capital, está incluída em leilão previsto para o primeiro trimestre de 2026. O edital estabelece valor mínimo de R$ 932 milhões e concede ao vencedor o direito de explorar o aeroporto até 2039. Há entendimento entre concessionária, Tribunal de Contas da União (TCU), Anac e Ministério de Portos e Aeroportos para que a Changi apresente pelo menos uma proposta, mecanismo que tende a simplificar a vitória da Vinci Compass. A possibilidade de assumir o controle total depois da licitação foi considerada fator determinante para a entrada da empresa na sociedade.
Crescimento de demanda
O Galeão registra aumento de movimento desde que o governo federal limitou a quantidade de voos no Aeroporto Santos Dumont. A realocação de operações domésticas incrementou o fluxo no terminal internacional e reforçou a sua posição na malha aérea brasileira. De acordo com relatório de oferta e demanda da Anac, o aeroporto atendeu quase 10 milhões de passageiros entre janeiro e julho de 2025, expansão de 25% em relação ao mesmo período de 2024. Atualmente, o terminal fica atrás apenas de Guarulhos e Congonhas, ambos em São Paulo, no ranking nacional de passageiros.
Apesar do bom momento, a trajetória até aqui incluiu desafios. A concessão iniciada em 2013 enfrentou a saída da Odebrecht do bloco original, o impacto da pandemia de covid-19 e a concorrência direta com o Santos Dumont. A crise sanitária desencadeou a busca da Changi por um comprador para parte de sua posição, processo concluído agora com a chegada da Vinci Compass.
Expansão de rotas internacionais
O aumento das conexões domésticas reforçou o potencial de alimentação para voos de longa distância. Entre os anúncios mais recentes de companhias aéreas estão:

Imagem: melhoresdestinos.com.br
• Air Transat – estreia de operações entre Rio de Janeiro, Toronto e Montreal em fevereiro de 2026;
• JetSmart – início da rota Rio de Janeiro–Assunção em 9 de janeiro de 2026;
• Gol – lançamento da frequência Rio de Janeiro–Mendoza a partir de 3 de janeiro de 2026;
• Latam – ampliação de frequências para Lima, no Peru, já em vigor;
• Boliviana de Aviación (BoA) – implementação de voos para Santa Cruz de la Sierra ainda em 2025.
A perspectiva é de que a maior disponibilidade de passageiros de conexão continue incentivando novas ligações internacionais, fortalecendo o hub carioca.
Próximos passos
Com a aprovação regulatória pendente, a Vinci Compass assumirá participação relevante imediatamente e, se confirmar presença no leilão de 2026, poderá alcançar o controle integral do Galeão até o fim da década. O contrato vigente mantém a concessão até 2039, prazo em que a nova estrutura acionária terá de equilibrar investimentos em infraestrutura, expansão de rotas e atendimento à demanda crescente.
Enquanto o processo avança, o Galeão segue operando com foco na recuperação do tráfego e na diversificação de destinos, sustentado por decisões regulatórias que redistribuíram voos na capital fluminense e por iniciativas das companhias aéreas para explorar oportunidades de mercado.




