Brasileiros combinam entusiasmo e cautela no uso de IA para planejar viagens, mostra levantamento global

Leonardo Monteiro

Um estudo realizado pela Booking.com com 37.325 consumidores em 33 mercados revelou que o Brasil figura entre os países mais receptivos à Inteligência Artificial (IA) no turismo. De acordo com o levantamento Global de Perspectivas sobre a IA, 98% dos entrevistados brasileiros se disseram entusiasmados com a tecnologia e 97% pretendem utilizar recursos baseados em IA no planejamento de suas próximas viagens.

A forte adesão, no entanto, é acompanhada por um desejo de supervisão humana. Entre os participantes no Brasil, 76% afirmaram revisar as informações geradas por algoritmos antes de tomar decisões e apenas 12% declararam confiar plenamente na IA. Essa combinação de entusiasmo e cautela indica que, embora a tecnologia seja vista como uma facilitadora, o julgamento humano continua central nas escolhas de roteiros, hospedagens e atividades.

O relatório também aponta uso crescente da IA nas etapas iniciais da jornada turística. Na fase de pesquisa, 44% dos viajantes recorrem a assistentes inteligentes para identificar destinos e melhores épocas para visitá-los, 42% buscam recomendações de experiências culturais e 44% solicitam sugestões gastronômicas. Quando comparados a influenciadores digitais, os sistemas de IA já conquistam mais credibilidade: 44% confiam nas ferramentas automatizadas, contra 19% que preferem orientações de criadores de conteúdo.

Durante a viagem, os recursos mais populares permanecem relacionados à conveniência. Serviços de tradução lideram a lista, utilizados por 50% dos brasileiros, seguidos por guias de atividades locais (53%), indicações de restaurantes (51%) e auxílio na navegação em regiões desconhecidas (37%). Esses percentuais mostram que a tecnologia é vista como apoio prático em situações cotidianas, reduzindo barreiras linguísticas e otimizando o tempo do turista.

No retorno para casa, a aplicação principal migra para a esfera da memória digital. Quase metade dos entrevistados (49%) recorre à IA para editar fotos, melhorar qualidade de imagem ou agregar efeitos que valorizem o registro da experiência. A utilização nesse momento pós-viagem evidencia a versatilidade dos sistemas, que acompanham o consumidor em todo o ciclo – da inspiração inicial ao compartilhamento das lembranças.

A discussão sobre planejamento totalmente automatizado também desponta. Sessenta e cinco por cento dos participantes acreditam que o preparo autônomo de viagens ganhará força nos próximos anos, tendência reforçada pelo dado de que 80% já experimentaram algum recurso de IA em etapas anteriores. Apesar disso, apenas 20% se sentem confortáveis em delegar decisões finais, como escolha de hospedagem ou definição do roteiro diário, exclusivamente a algoritmos.

Sustentabilidade aparece como outro eixo relevante da pesquisa. Segundo o relatório, 84% dos brasileiros valorizam o uso de IA para minimizar impactos negativos nos destinos visitados. Além disso, 86% consideram importante receber recomendações que ajudem a evitar pontos turísticos superlotados ou períodos de alta demanda, enquanto 78% preferem que as plataformas priorizem experiências capazes de beneficiar economicamente as comunidades locais.

Em contrapartida, um quarto dos entrevistados descreve a IA como impessoal. Esse sentimento reforça a necessidade de equilíbrio entre eficiência tecnológica e conexão humana, apontada pela própria Booking.com como fator-chave para ampliação da confiança. Combinado à cautela já identificada, o dado sublinha que os viajantes enxergam a IA como ferramenta de apoio, não como substituta do atendimento personalizado ou da expertise de profissionais do setor.

Ao divulgar o levantamento, a empresa destacou que a coleta de dados ocorreu entre abril e maio de 2025. O período contemplou públicos diversos em cinco continentes, oferecendo panorama amplo sobre a adoção global da tecnologia no turismo. Dentro desse cenário, o Brasil aparece não apenas como mercado de rápida aceitação, mas também como exemplo de uso responsável, onde o interesse pela inovação é mediado pelo desejo de manter a autenticidade da experiência de viagem.

Os resultados indicam, por fim, que o potencial transformador da IA depende da capacidade das plataformas de alinhar automação, transparência e supervisão humana. Para os viajantes brasileiros, o caminho preferido combina conveniência, informações verificáveis e respeito às necessidades de cada destino, reforçando que tecnologia e toque pessoal podem coexistir de forma complementar.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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