Dólar recua para R$ 5,38, atinge menor cotação em mais de um ano e anima mercados

Leonardo Monteiro

O mercado de câmbio registrou forte valorização do real nesta quinta-feira (11), quando o dólar comercial foi negociado a R$ 5,386 no encerramento das operações, queda de 1,06% em relação ao dia anterior. A cotação é a mais baixa desde junho de 2024, segundo dados consolidados das corretoras consultadas pelo mercado.

O movimento de enfraquecimento da moeda norte-americana ocorreu em um contexto de indicadores de inflação abaixo do previsto tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Internamente, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho apontou alta de 0,26%, resultado que veio aquém das projeções e reforçou a percepção de que a trajetória de preços segue controlada. No exterior, o índice de preços ao consumidor norte-americano avançou 0,2% no mesmo mês e 2,7% no acumulado de 12 meses, dentro do esperado por analistas.

A leitura de inflação moderada nos Estados Unidos ampliou as apostas de cortes de juros pelo Federal Reserve já na reunião marcada para setembro. Com a expectativa de rendimentos menores nos títulos norte-americanos, investidores passaram a buscar retornos em economias emergentes, favorecendo a entrada de capital estrangeiro no Brasil e, consequentemente, fortalecendo o real.

Desempenho de outras moedas e impacto nos juros

O euro acompanhou a tendência de queda e recuou 0,46%, sendo negociado a R$ 6,28, menor nível desde maio. Em linhas gerais, a combinação de inflação controlada e perspectiva de juros menores em economias centrais estimula o deslocamento de recursos para países que oferecem taxas mais elevadas, como o Brasil, sustentando o diferencial de rendimento.

No mercado de juros futuros, as taxas recuaram em quase toda a curva, refletindo a possibilidade de afrouxamento monetário tanto no exterior quanto no cenário doméstico. A redução dos prêmios de risco foi interpretada por agentes financeiros como sinal de estabilidade macroeconômica, o que costuma acelerar a entrada de investimentos de portfólio.

Ibovespa renova máximas de um mês

O principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, avançou 1,69% e encerrou a sessão aos 137.914 pontos, maior patamar em pouco mais de trinta dias. Papéis de setores sensíveis aos juros, como varejo e construção civil, lideraram os ganhos, sustentados pela perspectiva de custo de capital menor nos próximos trimestres.

Empresas de consumo e operadores de shopping centers também foram beneficiadas pela leitura de inflação comportada, pois uma política monetária menos restritiva tende a elevar a renda disponível das famílias. Já as ações de bancos registraram desempenho positivo, acompanhando o ambiente de maior apetite por risco.

Efeito no turismo internacional

Para o setor de turismo, a depreciação do dólar significa alívio no orçamento de brasileiros que planejam viajar ao exterior. Pacotes, passagens aéreas, hospedagens e serviços locais têm preços diretamente atrelados à moeda norte-americana, de modo que a queda na cotação amplia o poder de compra. Operadoras e agências sinalizam que podem intensificar campanhas promocionais, principalmente para destinos populares nos Estados Unidos e na Europa.

Com o real mais forte, turistas encontram oportunidades para antecipar reservas e travar custos futuros. Quem busca economizar em passagens pode consultar ofertas em portais especializados. Para locomoção fora do país, opções de aluguel de veículos também se tornam mais acessíveis, assim como reservas de hospedagem. Pacotes completos, que combinam voos, acomodação e passeios, podem ser conferidos em plataformas dedicadas.

Perspectivas

Analistas consultados pelo mercado apontam que o comportamento do câmbio seguirá dependente de três fatores principais: evolução da inflação interna, decisões do Banco Central sobre a taxa Selic e sinalizações do Federal Reserve acerca do ciclo de cortes de juros nos Estados Unidos. Caso o cenário de preços contidos se confirme, a tendência é de manutenção ou fortalecimento adicional do real, ainda que volatilidade pontual não possa ser descartada.

No âmbito doméstico, dados de atividade econômica e o andamento das discussões fiscais no Congresso continuarão no radar dos investidores. Qualquer sinal de deterioração nas contas públicas pode limitar o fluxo de capitais e pressionar a moeda brasileira. Por outro lado, avanços na agenda de reformas e melhora da percepção de risco soberano tendem a consolidar o patamar atual ou até provocar nova apreciação cambial.

Enquanto isso, setores ligados ao consumo e ao crédito permanecem atentos às condições financeiras mais favoráveis. A expectativa de juros menores fomenta planos de expansão, sobretudo em empresas fortemente alavancadas, que se beneficiam de um custo de dívida reduzido.

Em resumo, a cotação de R$ 5,38 alcançada nesta quinta-feira reflete uma combinação de fatores domésticos e externos que favoreceram o real, abriram espaço para valorização de ativos de risco e, de quebra, animaram consumidores interessados em viagens internacionais. A evolução desses indicadores nas próximas semanas será determinante para confirmar se o movimento de queda do dólar se sustenta ou se haverá correção nos preços.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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