O desempenho do turismo brasileiro em 2025 segue acima da média da economia nacional. Dados apresentados pelo economista Fabio Bentes, da Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), durante a sétima edição do Fórum Nacional da Hotelaria (FNH) realizada em São Paulo, indicam crescimento real de 6% no volume de receitas do setor, já descontada a inflação. O ritmo de expansão contrasta com a desaceleração observada no Produto Interno Bruto, reforçando a resiliência da atividade turística.
Bentes destacou que, mesmo sem sinais de recessão, a economia apresenta menor tração em 2025, enquanto o turismo segue gerando receita e emprego. A inflação específica do segmento está em 4,6%, nível inferior à média nacional, resultado que, segundo o economista, sinaliza que serviços como hotelaria, alimentação e transporte não figuram entre os principais vetores de pressão sobre preços.
O levantamento da CNC mostra ainda que o turismo permanece entre os maiores empregadores do país. De acordo com Bentes, em uma economia caracterizada por produtividade estruturalmente baixa, o setor funciona como “última fronteira” para a criação de vagas. Contudo, ele avalia que a tendência de robotização e automação de serviços, já consolidada no varejo e em expansão sobre a hotelaria, impõe desafios adicionais para manter a taxa de ocupação da mão de obra. Sem políticas adequadas de absorção, a pressão sobre programas sociais pode aumentar, alerta.
Recorde de visitantes estrangeiros
Entre janeiro e julho de 2025, mais de 6,8 milhões de turistas estrangeiros desembarcaram no Brasil, superando o total registrado em todo o ano de 2024. A CNC projeta que o país encerrará 2025 com o maior volume de visitantes da série histórica. O gasto médio do turista internacional, próximo de US$ 1.000 por estadia, permanece superior ao desembolso do visitante doméstico, ampliando o impacto econômico das viagens.
Segundo Bentes, o câmbio não tem se mostrado fator decisivo para a atração de estrangeiros, mesmo com a valorização recente do real. Para ele, o principal obstáculo está na escassez de campanhas internacionais de promoção e na carência de investimentos em infraestrutura aeroportuária e segurança pública. “Sem estrutura adequada, o potencial turístico brasileiro não é plenamente aproveitado”, afirmou no evento.
Alerta sobre a reforma tributária
Apesar do ambiente favorável, o economista dedicou parte da apresentação aos riscos que a reforma tributária em debate no Congresso representa para o setor de serviços. O texto em análise prevê alíquota nominal entre 26,5% e 28% sobre consumo, percentual que, caso confirmado, seria o mais elevado do mundo, acima dos 27% praticados no Reino Unido e bem distante dos 17% a 19% observados em destinos concorrentes.
Bentes argumenta que empresas de turismo e demais prestadoras de serviços teriam dificuldade em compensar a nova carga por meio de créditos tributários, já que grande parcela de seus custos está concentrada na folha de pagamento, sobre a qual não incidem tais créditos. “O setor que mais emprega no Brasil pode ser penalizado justamente quando a economia inicia um período de menor crescimento”, alertou.

Imagem: Maurício Herschander via brasilturis.com.br
Segurança urbana e competitividade
Durante o fórum, o economista também abordou a necessidade de políticas públicas voltadas para a segurança nas cidades. Para ele, investimentos em sistemas de proteção dentro de hotéis e restaurantes têm alcance limitado diante de problemas estruturais de segurança urbana. A falta de sensação de tranquilidade, observa, compromete a experiência do visitante e reduz a taxa de retorno.
Bentes concluiu que o cenário para 2025 continua favorável, mas ressalvou que o avanço dependerá de mudanças estruturais. Entre as prioridades, listou uma reforma tributária equilibrada, maior promoção do Brasil no exterior e aportes consistentes em infraestrutura turística. “O país reúne vantagens competitivas únicas, da Amazônia ao Nordeste, mas precisa convertê-las em retorno econômico efetivo”, disse.
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