Convention bureaus são estratégicos para elevar ocupação hoteleira, afirma Visite São Paulo

Leonardo Monteiro

São Paulo – O papel da hotelaria dentro dos convention bureaus foi o principal ponto abordado por Toni Sando, presidente do Visite São Paulo e da Unedestinos, durante a sétima edição do Fórum Nacional da Hotelaria (FNH), realizada nesta segunda-feira, 15 de setembro de 2025, na capital paulista. O dirigente apresentou dados e metas que reforçam a importância da participação direta dos hotéis na governança e no financiamento das entidades responsáveis pela captação de eventos.

Protagonismo na governança

Sando iniciou a apresentação detalhando a composição do conselho do Visite São Paulo. Segundo ele, metade dos assentos é ocupada por hoteleiros, demonstrando que o setor possui voz decisiva sobre prioridades de promoção de destinos. Entre os nomes citados estão Orlando Souza, representante do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), e Marco Villas Boas, da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), além de executivos de redes nacionais e internacionais.

A distribuição de cadeiras, afirmou o executivo, possibilita que decisões sobre investimento em feiras, roadshows e candidaturas de congressos sejam tomadas em sintonia com as necessidades de ocupação de quartos. “A governança do Visite São Paulo é feita por vocês e para vocês”, reforçou, dirigindo-se aos profissionais presentes no FNH.

Eventos como eixo de geração de receita

O presidente lembrou que cada congresso, feira ou encontro corporativo captado por um convention bureau resulta em reservas de hospedagem, consumo em restaurantes, deslocamentos urbanos e compras no varejo. Ao quantificar o impacto, destacou que um único evento internacional de médio porte pode representar milhares de room nights em determinados períodos. “Aumentar o fluxo de visitantes é aumentar a economia de toda a cadeia”, sintetizou.

Conforme explicou, o trabalho de prospecção costuma ser iniciado com vários anos de antecedência. Equipes analisam calendário global, identificam entidades promotoras e apresentam propostas que demonstram a capacidade de infraestrutura, conectividade aérea e oferta hoteleira do destino. Para ele, o engajamento direto dos hotéis nessas iniciativas amplia a competitividade do Brasil em licitações internacionais.

Integração institucional e agenda setorial

Sando recordou os temas centrais discutidos em anos anteriores: redes sociais em 2022, fortalecimento do associativismo em 2023 e a “invisibilidade do essencial” em 2024, expressão que descreve trabalhos de bastidor que garantem a experiência do visitante. Para 2025, a prioridade declarada é a integração de entidades para enfrentar pautas legislativas e regulatórias, como reforma tributária, condições laborais de camareiras, cobranças do Ecad e eventual adoção de diária de 24 horas.

Segundo o dirigente, a representatividade alcançada por meio de conselhos fortes permite que o setor participe de audiências públicas e negociações, evitando que decisões sejam tomadas sem a contribuição de quem opera a hotelaria. “Se não participa, alguém decide por você”, ressaltou ao defender uma atuação coletiva.

Sustentabilidade financeira dos bureaus

O financiamento das ações de promoção foi outro aspecto enfatizado. Grande parte dos convention bureaus brasileiros é mantida por contribuições voluntárias, como o room tax adicionado à conta do hóspede. Sando esclareceu que o valor não é retirado do faturamento dos hotéis e, portanto, não compromete a margem operacional das propriedades. O dirigente alertou que transformar a contribuição em imposto poderia reduzir a eficiência do investimento, uma vez que os recursos deixariam de ser aplicados diretamente em captação de eventos.

Ao permanecer na esfera privada, argumentou, o montante arrecadado volta de forma imediata para quem contribui, por meio de campanhas de marketing, suporte a organizadores e participação em feiras internacionais. “É um compromisso do convention bureau com a hotelaria”, afirmou.

Missão de ampliar a presença do Brasil

Encerrando a exposição, Sando definiu a missão das entidades que lidera como “ir ao mundo para que o mundo venha”. A estratégia envolve promoção conjunta de destinos brasileiros em mercados emissores prioritários e apresentação de candidaturas para congressos internacionais. Cada evento confirmado, salientou, alimenta um ciclo virtuoso que beneficia hospedagem, alimentação, transporte e empregos locais.

Com base nos dados apresentados, o Visite São Paulo pretende intensificar a participação em feiras de turismo de negócios e eventos até 2026, ampliando parcerias com companhias aéreas, centros de convenções e associações setoriais. O objetivo é elevar a taxa média de ocupação nos períodos de baixa demanda, equilibrando o fluxo ao longo do ano.

A presença de lideranças de redes hoteleiras nacionais e estrangeiras na composição do conselho, frisou Sando, continuará sendo requisito para consolidar estratégias de captação. Para ele, a integração entre investidores, operadores e entidades de promoção é decisiva para que o Brasil conquiste espaço em um mercado de eventos cada vez mais competitivo.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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