O avanço da inteligência artificial (IA) no Turismo foi o eixo central do último painel do Travel Tech Hub Day 2025, realizado em São Paulo. A apresentação, conduzida por Leandro Angelo, vice-presidente executivo da consultoria de tecnologia Ci&T, detalhou como algoritmos e ferramentas baseadas em dados vêm modificando a forma de planejar, reservar e vivenciar viagens.
Segundo Angelo, a transformação digital alterou a lógica da comunicação. Se antes a troca de informações era vertical e concentrada em poucos emissores, hoje o diálogo ocorre de maneira horizontal, permitindo que o público não apenas consuma, mas também produza conteúdo. Essa mudança, ressaltou o executivo, impulsiona novos comportamentos de viagem ao disponibilizar recomendações e experiências personalizadas em tempo real.
Dados apresentados durante o painel mostram que 64% dos viajantes brasileiros utilizam o Google como principal ponto de partida para montar um roteiro. Em seguida aparecem sites e blogs especializados, citados por 48% dos entrevistados, e o Instagram, preferido por 45%. O levantamento também indica que 58% dos usuários de internet no País acessam a rede exclusivamente pelo celular, fator que reforça a necessidade de soluções mobile-first no setor.
O perfil do novo turista brasileiro revela dois grupos em destaque: viajantes da geração Z, responsáveis por 28% das demandas, e pessoas com mais de 65 anos, que representam 7%. O primeiro segmento dispõe de flexibilidade para definir datas com menor antecedência, enquanto o segundo tende a planejar roteiros com mais cuidado. Por outro lado, entre aqueles que não pretendem viajar nos próximos 12 meses, 42% apontam a falta de planejamento como principal obstáculo.
Para que projetos de IA realmente melhorem a experiência do cliente, Angelo defendeu a adoção de três pilares. O primeiro é o Touch Humano, que consiste em compreender a jornada do viajante e identificar os momentos de maior relevância. O segundo é a Inteligência Aumentada, que se materializa em assistentes virtuais e painéis de dados capazes de apoiar equipes de atendimento. O terceiro pilar é a Autonomia e Eficiência, alcançada por meio de autosserviço e processos automatizados que entregam controle ao usuário final.
O executivo apresentou ainda exemplos de como grandes plataformas já integram esses princípios. A Booking.com lançou, em fase beta nos Estados Unidos, o AI Trip Planner, recurso que responde a perguntas do viajante e sugere destinos, hospedagens e atividades de forma personalizada. Já o Tripadvisor atualizou a ferramenta Trips, introduzindo um gerador de itinerários baseado em IA generativa que combina informações de mais de um bilhão de avaliações para criar roteiros sob medida.

Imagem: panrotas.com.br
No panorama nacional, levantamento da plataforma Onfly aponta a existência de 205 travel techs ativas. Elas estão distribuídas em 11 categorias, com maior concentração em “Tecnologia para outros players” (24%), “Mobilidade” (17%) e “Experiências” (17%). Na sequência aparecem “Reservas on-line” (12%), “Eventos” (8%), “Gestão de viagens corporativas” (6%), “Despesas corporativas” (5%), “Serviços para viajantes” (4%), “Hospedagem” (3%), “Programas de fidelidade” (2%) e “Benefícios corporativos” (1%).
Angelo destacou que a inovação exige ciclos contínuos de testes, erros e ajustes. Organizações que aprendem mais rapidamente, afirmou, tendem a liderar a adoção de soluções que combinam IA, automação e atendimento humanizado.
O Travel Tech Hub Day 2025 contou com patrocínio de empresas como Argo Solutions, Benner, Clara, Copastur, GRP, HotelDO, Jeeves, Larian AI, Lemontech, Ligaí, Mobility, Paytrack, Planne, Trend Viagens e Vale Pay, além do apoio de Cubo, R1 e Tes. A programação reuniu profissionais de tecnologia, fornecedores de serviços e representantes da cadeia turística interessados em debater tendências e implementar práticas que impulsionem eficiência operacional e satisfação do viajante.
Com a popularização dos assistentes inteligentes e o aumento do acesso móvel, o setor observa uma mudança de paradigma: ferramentas de IA deixam de ser novidade e passam a integrar etapas essenciais do ciclo de viagem, do sonho à avaliação pós-retorno. A expectativa, segundo os especialistas presentes, é que a personalização e o autosserviço continuem a orientar investimentos em 2025 e nos anos seguintes.




