O setor hoteleiro brasileiro projeta a abertura de 152 novos empreendimentos até janeiro de 2025, totalizando R$ 10,6 bilhões em investimentos e 23,2 mil unidades habitacionais (UHs). Os dados integram a edição mais recente do estudo Panorama da Hotelaria Brasileira, elaborado pela HotelInvest em parceria com o Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (Fohb), que analisou o desempenho e o pipeline de 23 das maiores redes que operam no país.
Crescimento do portfólio de contratos
A intenção de expansão ganhou força em 2024. Segundo a pesquisa, 61% das redes pretendem assinar mais contratos neste ano do que em 2023, enquanto 39% projetam manter o mesmo ritmo. Para 2025, o cenário permanece favorável: novamente 61% estimam aumentar a quantidade de contratos em relação a 2024, 30% planejam repetir o volume e 9% indicam possível retração.
Interior em evidência
O mapeamento da localização dos futuros hotéis mostra forte movimento de interiorização. Do total de empreendimentos previstos, 41% estão direcionados a cidades médias, 11% a municípios terciários, 26% às capitais (excluindo Rio de Janeiro e São Paulo) e 22% às duas maiores metrópoles do país. Dessa forma, 73% das UHs projetadas concentram-se fora dos grandes centros, tendência apoiada principalmente por investidores regionais.
Estrutura de financiamento
Para viabilizar os novos projetos, as redes utilizam diferentes combinações de capital. A modalidade que mistura recursos próprios e financiamento bancário responde por 39% do total. Em seguida aparecem os empreendimentos bancados integralmente com capital próprio (26%), os modelos condo-hotel (17%) e outras fontes de funding, também com 17%.
Principais obstáculos
Apesar do bom desempenho operacional das unidades em funcionamento, os novos investimentos esbarram em barreiras relevantes. A alta taxa de juros lidera a lista de dificuldades, citada por 27% dos desenvolvedores ouvidos. Na sequência surgem os elevados custos de construção (24%), a falta de funding (19%), o preço e a disponibilidade de terrenos (13%), o RevPAR considerado insuficiente (7%) e a baixa rentabilidade de alguns hotéis (7%). Outros fatores somam 1% das menções.
Evolução do pipeline
Entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, o número de projetos em carteira passou de 141 para 152. No mesmo intervalo, 20 hotéis foram inaugurados, 26 iniciativas foram canceladas ou adiadas e 57 novos projetos entraram no radar, dos quais 48 já figuravam nos planos anteriores. Em valor investido, o montante avançou de R$ 10 bilhões para R$ 10,6 bilhões, enquanto a oferta prevista aumentou de 22,3 mil para 23,2 mil UHs.

Imagem: panrotas.com.br
Categoria e padrão dos produtos
O recorte por segmento revela predominância dos empreendimentos midscale e upper-midscale, que representam 45% da nova oferta. Hotéis econômicos e super econômicos vêm em seguida, com 35%, e as categorias upscale e luxo completam o quadro, somando 20%. Esse mix reflete a busca por produtos com construção e operação mais enxutas, adaptados à demanda de negócios regionais e ao potencial de cidades de porte médio.
Modelo contratual em transformação
A forma de contratação também passa por mudanças. Em 2023, os contratos de administração respondiam por 57% dos acordos, contra 41% de franquias e 2% de arrendamentos. A estimativa para 2025 aponta equilíbrio entre administração e franquia, cada qual com 48% de participação, enquanto o arrendamento deve avançar para 3%. A redistribuição reforça a consolidação do modelo de franquias, considerado menos intensivo em capital para as operadoras.
Com essa combinação de interiorização, diversificação de fontes de financiamento e evolução do modelo contratual, o mercado hoteleiro mantém a perspectiva de acelerar a expansão nos próximos dois anos, ainda que sob impacto de juros elevados e custos de construção acima da média.




