O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem uma reunião marcada com o ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), nesta sexta-feira, 19 de janeiro, no Palácio da Alvorada. O encontro foi agendado depois de o União Brasil ter determinado, na quinta-feira, que todos os filiados com mandato deixem os cargos que ocupam no governo federal em até 24 horas.
A orientação da legenda alterou o cronograma inicialmente previsto. Até então, o partido havia estabelecido 2 de outubro como data para o desligamento de seus representantes no Executivo. Com a antecipação, a permanência de Sabino na Esplanada tornou-se incerta e levou o Planalto a organizar a conversa com o presidente para avaliar os próximos passos.
De acordo com relatos ouvidos pelo Estadão/Broadcast, a audiência deve ocorrer logo pela manhã, embora o compromisso não conste, até o momento, nas agendas oficiais de Lula nem do ministro. A expectativa é de que a conversa seja decisiva para definir se Sabino solicitará exoneração ou seguirá à frente do Ministério do Turismo, mesmo sob risco de sofrer sanções partidárias.
A decisão interna do União Brasil foi formalizada por meio de resolução publicada pela Executiva Nacional. O documento estipula que o filiado que descumprir a ordem ficará sujeito a processo disciplinar e às penalidades previstas no Estatuto da sigla. Entre as medidas possíveis estão advertência, suspensão ou expulsão, procedimento que, caso venha a ser aplicado, depende de tramitação interna.
Sabino assumiu o comando do Turismo em 2023, após negociação que envolveu a bancada do União Brasil na Câmara dos Deputados e o Palácio do Planalto. Desde então, a pasta passou a ser um dos principais espaços ocupados pelo partido dentro da composição ministerial. A mudança de posição da direção nacional, porém, abriu novo impasse sobre a participação da sigla no governo.
A origem do desentendimento entre a cúpula partidária e o Executivo federal foi a orientação do União Brasil para que sua bancada adotasse postura de independência. Na prática, a legenda defende que os parlamentares continuem votando de acordo com seus interesses, sem compromisso de alinhamento automático com propostas do Planalto. A exigência de saída imediata dos ministros e secretários serve para reforçar esse posicionamento.
No caso de Sabino, a repercussão interna é considerada relevante pelo próprio partido. Como ministro, ele ocupa cargo de destaque e detém projeção nacional, especialmente em decisões ligadas a políticas de fomento ao setor de viagens e eventos. Caso permaneça no posto em desacordo com a resolução, poderá ser alvo de questionamentos formais e, ao mesmo tempo, comprometer a representação da sigla no primeiro escalão.
Do lado do governo, a avaliação é que a manutenção de Sabino contribuiria para preservar a base de apoio no Congresso, onde o União Brasil possui bancadas expressivas na Câmara e no Senado. Contudo, o Palácio do Planalto tem sinalizado que não pretende impor resistência caso o partido confirme o desembarque.
Durante a reunião desta sexta-feira, Lula deve ouvir a posição do ministro e discutir alternativas. Uma das hipóteses consideradas é que Sabino peça exoneração para evitar conflito com a sigla, abrindo espaço para outro nome a ser indicado pelo Planalto ou até mesmo a realocação de pastas no desenho ministerial. Outra possibilidade seria a permanência dele à frente do Turismo, assumindo os riscos de sanções partidárias.

Imagem: panrotas.com.br
Até o fim da tarde de quinta-feira, dirigentes do União Brasil reiteravam que a resolução valeria integralmente para todos os filiados com mandato, sem exceções. A deliberação seguiu respaldo do presidente do partido, deputado federal Antônio de Rueda, e da Executiva Nacional, que defendem a independência institucional da legenda.
O estatuto partidário prevê que eventuais punições sejam aplicadas somente após processo interno, garantindo direito de defesa aos filiados. Caso Sabino não deixe o cargo dentro do prazo, a Comissão Executiva Nacional deve instaurar procedimento disciplinar para apurar possível infração.
O Ministério do Turismo, até o momento, não se pronunciou oficialmente sobre o assunto. Procuradas, fontes da pasta afirmam que qualquer definição dependerá da conversa entre Lula e Sabino. Da mesma forma, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência manteve a posição de aguardar o desenlace do encontro antes de comentar o tema.
A reunião no Palácio da Alvorada ocorre em contexto de tensão política ampliada, já que o governo busca consolidar apoio para votações previstas no início do ano legislativo. O eventual afastamento de Sabino pode alterar o equilíbrio de forças e exigir novas negociações com outros partidos da coalizão.
Apesar da repercussão, não há, até o momento, indicação de que Lula pretenda revogar a nomeação do ministro por iniciativa própria. O presidente tem reiterado internamente a disposição de dialogar e aguardar a manifestação formal do aliado antes de tomar qualquer decisão.
Como a resolução partidária fixou prazo de 24 horas a partir de quinta-feira, 18, o limite para cumprimento da determinação expira na tarde desta sexta-feira. Assim, qualquer decisão precisa ser anunciada rapidamente para evitar questionamentos formais. Com isso, o encontro entre Lula e Sabino deve esclarecer a situação da pasta ainda hoje.
Se deixar o cargo, Sabino encerrará uma passagem de poucos meses à frente do Turismo, marcada por programas de incentivo ao setor e articulações com o Congresso. Se permanecer, enfrentará o desafio de conciliar a gestão da pasta com as exigências de seu partido, em cenário político que segue em constante negociação.




