O Governo de Minas Gerais confirmou que a Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, voltará a receber navegação turística a partir de dezembro. A nova operação, realizada por um catamarã com capacidade para 80 passageiros, oferecerá três saídas diárias sem cobrança de ingresso entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. O retorno do transporte aquaviário amplia a experiência dos visitantes no complexo projetado por Oscar Niemeyer, inscrito como Patrimônio Cultural da Humanidade desde 2016.
Investimento e estrutura de embarque
O projeto, orçado em R$ 1 milhão, resulta de parceria entre a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Os recursos cobrem a aquisição do catamarã, o treinamento de tripulação e a instalação de um píer exclusivo na orla da lagoa. O local de embarque está em processo de licenciamento junto à Prefeitura de Belo Horizonte, e as autoridades estimam a conclusão antes do início da temporada de verão.
Segundo a Secult, a operação piloto nos meses de dezembro e janeiro deverá avaliar a adesão do público e o desempenho ambiental do equipamento. Caso os resultados sejam positivos, o serviço poderá ser estendido a outras épocas do ano e incorporado ao calendário fixo de atrações da capital mineira.
Contexto histórico da navegação
A navegação na Lagoa da Pampulha foi suspensa na década de 1960, quando o volume de esgoto doméstico lançado na bacia comprometeu a qualidade da água e a segurança dos usuários. Desde então, embarcações de passeio deixaram de circular, e o cartão-postal concentrou-se em atividades terrestres, como caminhadas, ciclismo e visita aos equipamentos culturais do entorno. O novo catamarã marca, portanto, a retomada de um uso histórico da lagoa, associado ao lazer e à contemplação do conjunto arquitetônico formado pela Igreja de São Francisco de Assis, o Iate Tênis Clube, o Museu de Arte da Pampulha e a Casa do Baile.
Melhorias no saneamento
Para viabilizar o retorno da navegação, o governo estadual autorizou um pacote de R$ 23 milhões direcionado a obras de saneamento complementar na bacia. Sob responsabilidade da Copasa, o programa inclui a modernização de duas estações elevatórias de esgoto responsáveis pelo bombeamento para a Estação de Tratamento Onça, onde os efluentes passam por processos de clarificação e desinfecção antes do lançamento no curso d’água.
Além das elevatórias, serão instaladas 740 novas ligações domiciliares em Belo Horizonte e Contagem, municípios que compartilham a drenagem da Pampulha. O cronograma prevê também a implantação de 11,2 quilômetros de redes coletoras, proporcionando cobertura integral em Belo Horizonte (100 %) e praticamente total em Contagem (99,5 %). A estimativa oficial é de que as intervenções assegurem padrões de balneabilidade compatíveis com a prática regular de atividades aquáticas.
Objetivos turísticos e culturais
A iniciativa pretende diversificar a oferta de lazer em Belo Horizonte, atrair novos fluxos de visitantes e reforçar a identidade cultural associada ao modernismo mineiro. De acordo com a Secult, passeios aquáticos permitirão observar, a partir da água, a integração entre arquitetura, paisagismo e arte que caracterizam o conjunto projetado por Niemeyer em colaboração com Roberto Burle Marx e Cândido Portinari.

Imagem: Mtur via brasilturis.com.br
Entre as expectativas do Executivo estadual está a criação de roteiros combinados que integrem o passeio de catamarã a museus, centros culturais e restaurantes da região. A secretaria avalia que o transporte aquaviário poderá gerar oportunidades para guias de turismo, artesãos e comerciantes instalados nos bairros vizinhos, contribuindo para a redistribuição da renda gerada pelo setor.
Operação do serviço
O catamarã, construído em alumínio naval, terá comprimento compatível com a profundidade média da lagoa e motores elétricos, opção que reduz emissões sonoras e de carbono. A capacidade foi limitada a 80 lugares para assegurar estabilidade e manobrabilidade dentro dos 18 quilômetros de perímetro. Cada percurso completo deverá durar cerca de 40 minutos, com comentários gravados sobre a história, a arquitetura e as medidas de preservação ambiental da área.
Durante o período de testes, as saídas ocorrerão pela manhã, no início da tarde e no final da tarde, horários escolhidos para evitar sobrecarga nos momentos de maior prática esportiva na orla. Os bilhetes, apesar de gratuitos, serão distribuídos com antecedência por meio de aplicativo e pontos físicos na Casa do Baile, permitindo controle de demanda e prevenção de filas.
Próximos passos
Concluída a fase de licenciamento do píer, a Copasa iniciará a montagem de defensas, passarelas de acesso e sinalização náutica. Simultaneamente, uma equipe multidisciplinar acompanhará parâmetros de qualidade da água, fauna e flora, a fim de garantir que o aumento da movimentação não comprometa a recuperação em curso.
O governo estadual afirma que a somatória de ações de saneamento, revitalização da orla e reintrodução da navegação projeta a Lagoa da Pampulha como exemplo de gestão integrada de patrimônio cultural e ambiental. A meta final é consolidar o espelho-d’água como espaço de convivência para moradores e polo de visitação para turistas nacionais e estrangeiros.



