O 8º TTMs Summit reuniu profissionais do setor de viagens corporativas nesta sexta-feira, 26 de setembro de 2025, no Royal Palm Hall, em Campinas (SP). Promovido pela HSMAI Brasil sob o lema “Conexões pelo Mundo”, o encontro discutiu de que forma dados, tecnologia e experiência do viajante estão redefinindo processos e estratégias no segmento.
Logo na abertura, representantes de diferentes áreas compartilharam projeções e boas práticas para um mercado que, segundo números da Global Business Travel Association (GBTA), deve alcançar US$ 1,5 trilhão em receita global já em 2025. O dado serviu de ponto de partida para analisar a evolução das políticas de viagem e o papel crescente de ferramentas digitais no controle de despesas.
Mercado brasileiro acompanha tendências internacionais
O painel “Movimentos globais, impactos locais. Decifrando o futuro das viagens corporativas” reuniu Luana Nogueira, diretora executiva da Alagev, Erica Whitaar, especialista em gestão de despesas e viagens na Suzano, e Patrícia Thomas, diretora de vendas corporativas e lazer da Omnibees. As executivas avaliaram que as empresas brasileiras estão menos distantes das práticas aplicadas nos principais centros econômicos, reduzindo a defasagem histórica em processos, governança e adoção de tecnologia.
Entre os pontos destacados, a inteligência artificial despontou como ferramenta essencial para antecipar gastos, detectar inconsistências e sugerir ajustes em tempo real. Os algoritmos, afirmaram as painelistas, são capazes de cruzar regras de compliance com preferências individuais do viajante, indicando opções que equilibram economia e satisfação. Essa combinação de automação e flexibilidade vem permitindo que gestores atuem de maneira mais consultiva, focados em análise estratégica em vez de tarefas operacionais repetitivas.
Outro tópico abordado foi a relevância da comunicação entre departamentos de compras, finanças e recursos humanos. De acordo com as participantes, o alinhamento constante facilita a obtenção de dados precisos, amplia a transparência e fortalece a cultura de viagens responsáveis dentro das organizações. Na avaliação do grupo, companhias que revisam diretrizes com frequência e envolvem colaboradores na construção de políticas tendem a apresentar melhor controle orçamentário e índices mais altos de engajamento.
Políticas flexíveis reduzem custos ocultos
A apresentação “Viagem corporativa com direção: boas práticas para uma política eficiente”, conduzida por Thais Meireles, da XP Inc., aprofundou a discussão sobre construção de políticas internas. A executiva argumentou que documentos excessivamente rígidos podem resultar em gastos adicionais, uma vez que limitam escolhas de tarifas ou impedem mudanças de rota em situações imprevistas. Ao contrário, regras adaptáveis ao perfil de cada equipe possibilitam negociações mais vantajosas e evitam penalidades por remarcações.
Thais ressaltou que a experiência do viajante influencia diretamente produtividade e retenção de talentos. Benefícios simples — como acesso a salas VIP em conexões longas ou flexibilidade no horário de retorno — costumam elevar a percepção de bem-estar e, simultaneamente, reduzir despesas com diárias extras. Segundo ela, a personalização não significa perda de controle; processos automatizados e métricas claras permitem acompanhar o impacto financeiro em tempo real, fornecendo base para ajustes rápidos quando necessário.

Imagem: Rafael Destro via brasilturis.com.br
Integração de dados no centro da estratégia
Ao longo do evento, especialistas destacaram que a maturidade digital do setor passa pela capacidade de coletar, tratar e compartilhar informações entre parceiros, fornecedores e clientes internos. Plataformas unificadas e dashboards intuitivos facilitam a identificação de tendências de consumo, níveis de adesão às políticas e oportunidades de renegociação com companhias aéreas, redes hoteleiras e locadoras de veículos.
Para os organizadores, a convergência de recursos de análise de dados e soluções de experiência do usuário deve ganhar força nos próximos anos. Herramentas que conciliam reservas, reembolsos e feedback sobre a viagem em um único ambiente prometem reduzir atritos e acelerar tomadas de decisão. Esse cenário, apontaram os participantes, exigirá profissionais capacitados para interpretar indicadores e propor ações alinhadas aos objetivos de cada empresa.
Programação segue com foco em eventos corporativos
Após os debates iniciais, o TTMs Summit continuou com sessões voltadas à organização de eventos e viagens de incentivo, mantendo o olhar sobre inovação tecnológica e gestão eficiente de recursos. Painéis previstos para o restante do dia incluem análises sobre sustentabilidade em deslocamentos de negócios e a influência do comportamento do viajante nas negociações com fornecedores.
Com a confirmação de tendências como inteligência artificial, políticas flexíveis e centralização de dados, a oitava edição do evento reforçou a percepção de que o Brasil avança no mesmo ritmo dos principais mercados internacionais. Participantes concordam que o desafio agora é transformar conceitos discutidos em práticas diárias, garantindo competitividade e satisfação ao público corporativo que volta a se deslocar em alta escala.




