Setor brasileiro analisa avanços e desafios no Dia Mundial do Turismo 2025

Leonardo Monteiro

O Dia Mundial do Turismo, celebrado neste sábado, 27 de setembro, chega em 2025 com um balanço que mistura conquistas expressivas e desafios persistentes. Entidades que representam diferentes segmentos da cadeia turística no Brasil apontam avanços na recuperação de viagens, expansão da oferta de serviços e melhora na percepção do País como destino, mas alertam para obstáculos estruturais, necessidade de qualificação profissional e criação de políticas de incentivo que sustentem o crescimento.

Recuperação do fluxo de viajantes e valorização do mercado interno

A Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav Nacional) destaca que, desde a reabertura das fronteiras, o brasileiro passou a explorar mais o turismo doméstico, redescobrindo destinos do interior à Amazônia e fortalecendo economias regionais. Esse movimento, segundo a entidade, consolidou o agente de viagens como peça essencial para planejar roteiros personalizados, garantir preços competitivos e aumentar a segurança do viajante. A expectativa da Abav é que novos investimentos em hotelaria, gastronomia, cultura e transporte mantenham a curva de crescimento em ritmo sustentável.

Aviação supera nível pré-pandemia

Na aviação, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) informa que o período de janeiro a agosto de 2025 registrou 84,7 milhões de passageiros transportados, número 8,6% superior ao mesmo intervalo de 2019. A retomada também é visível no receptivo internacional: até julho, o País recebeu quase 6 milhões de visitantes estrangeiros, avanço de 47,5% segundo a Embratur. Para a Abear, reduzir custos operacionais, ampliar rotas e tornar o transporte aéreo acessível à classe C são medidas cruciais para democratizar viagens e estimular a economia em destinos com potencial turístico.

Eventos voltam a impulsionar o segmento Mice

No setor de eventos, a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abeoc) aponta que 2025 marca a consolidação da retomada presencial e o fortalecimento da cadeia Mice (meetings, incentives, conferences and exhibitions). A entidade cita a conquista de congressos internacionais, entre eles o Cocal 2026 em Fortaleza, como prova de competitividade do País para sediar grandes encontros corporativos. Para a Abeoc, o organizador de eventos ganha relevância como catalisador de negócios, gerando emprego, renda e inovação em diversas regiões.

Hotelaria busca ambiente regulatório favorável

A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH Nacional) ressalta que a temática global “Turismo e transformação sustentável” exige do Brasil regras claras, segurança jurídica e incentivos à inovação para converter potencial natural e cultural em resultados econômicos. Conforme a entidade, a rede hoteleira está preparada para crescer, mas depende de incentivos fiscais, regulatórios e estruturais que estimulem o investimento privado e garantam competitividade frente a outros destinos internacionais.

Operadores turísticos projetam segundo semestre aquecido

Entre os operadores, a Associação Brasileira das Operadoras de Turismo (Braztoa) observa que, mesmo diante de instabilidades geopolíticas e variações cambiais, as viagens se mantêm prioritárias no orçamento das famílias. Pesquisa recente da entidade mostra desempenho positivo no primeiro semestre, e a tendência de câmbio em queda reforça a previsão de aumento da procura por pacotes, especialmente para o exterior, nos próximos meses.

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Imagem: panrotas.com.br

Cruzeiros enfrentam ajustes na oferta

A Clia Brasil, representante da indústria de cruzeiros, registra que a temporada 2024/2025 gerou forte impacto econômico ao mobilizar comunidades costeiras e criar milhares de empregos. Contudo, a próxima temporada deve ser menor em razão da saída de navios e redução de cabines disponíveis. A entidade aposta na cooperação entre setor público e privado para solucionar gargalos, elevar a competitividade do destino Brasil e assegurar a continuidade dos resultados positivos.

Empregos, inclusão e sustentabilidade em pauta

Para a Federação Brasileira de Hospedagem e Alimentação (FBHA), o turismo se confirma como vetor de desenvolvimento econômico, inclusão social e preservação cultural. A federação defende investimentos em qualificação profissional, ampliação do acesso a experiências turísticas e políticas voltadas à sustentabilidade, alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

Apesar das diferenças entre segmentos, as entidades convergem no diagnóstico: há motivos concretos para celebrar o Dia Mundial do Turismo em 2025, especialmente pelos números de recuperação, expansão do mercado doméstico e aumento de visitantes internacionais. Entretanto, o avanço pleno do setor depende de políticas que reduzam custos operacionais, melhorem infraestrutura, intensifiquem a capacitação da mão de obra e incentivem práticas responsáveis. Manter o crescimento e transformar potencial em competitividade global são os próximos passos apontados pelos representantes da cadeia turística brasileira.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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