Um levantamento global da Booking.com revela que a inteligência artificial (IA) se consolidou como ferramenta relevante para a organização de viagens. No Brasil, 97% dos entrevistados pretendem recorrer a algum recurso de IA em deslocamentos futuros, ao mesmo tempo em que pedem transparência e supervisão humana nesse processo.
Cenário brasileiro
O estudo foi realizado com mais de 37 mil consumidores em 33 mercados. Entre os brasileiros consultados, 98% manifestaram empolgação com o potencial da tecnologia. Embora o entusiasmo seja elevado, a relação não é irrestrita: apenas 12% declararam confiar plenamente nos resultados fornecidos por sistemas de IA.
A percepção ambígua aparece também na checagem de informações. Segundo o relatório, 23% dos viajantes sempre verificam dados obtidos por algoritmos, enquanto outros 53% fazem essa conferência ocasionalmente. Para 25% dos participantes, a ausência de interação humana torna o serviço impessoal.
Planejamento de viagem
O uso da inteligência artificial já é realidade para 80% dos brasileiros que viajaram recentemente. Na fase de preparação do roteiro, as principais finalidades listadas foram:
• Pesquisa de destinos e melhor época para visitar — 44%;
• Encontrar experiências locais ou atividades culturais — 42%;
• Receber sugestões de restaurantes — 44%.
Questionados sobre confiabilidade, 44% disseram preferir orientações de assistentes baseados em IA, percentual mais que o dobro do atribuído a influenciadores digitais, que obtiveram 19%.
Durante a estadia
Já no destino, a IA continua presente. Entre os recursos mais acionados aparecem:
• Sugestões de atividades — 53%;
• Recomendações gastronômicas — 51%;
• Ferramentas de tradução — 50%;
• Orientação para se locomover em sistemas de transporte desconhecidos — 37%.
Pós-viagem
Na volta para casa, quase metade dos respondentes (49%) utiliza aplicações de IA para editar fotografias, sinalizando que a tecnologia acompanha todo o ciclo de viagem.

Imagem: panrotas.com.br
Benefícios reconhecidos
Os entrevistados apontaram ganhos práticos na adoção dos algoritmos. Para 84%, a IA simplifica e torna o planejamento mais eficiente. Outros 86% valorizam alertas que ajudem a evitar destinos superlotados ou períodos de pico. Além disso, 78% esperam que as plataformas destaquem experiências que beneficiem comunidades locais, reforçando a preocupação com turismo responsável.
Limites à autonomia total
Apesar dos avanços, a maioria não se sente preparada para delegar todas as decisões ao software. Somente 20% afirmaram estar confortáveis com escolhas totalmente automatizadas. Outros 16% permanecem indecisos e 5% indicaram desconforto significativo, recusando qualquer definição sem intervenção humana.
O resultado sugere que, no entendimento do público brasileiro, a IA deve servir como apoio ao viajante, e não substituir seu julgamento. Há espaço para expansão, mas a adoção dependerá da capacidade das empresas de oferecer recomendações claras, personalizadas e, sobretudo, confiáveis.
Expectativa de futuro
Para 65% dos entrevistados, o planejamento de viagens autônomo — em que o sistema elabora o itinerário completo — deverá se popularizar em breve. Ainda assim, a visão majoritária é de um modelo híbrido, combinando algoritmos capazes de processar grandes volumes de dados e a validação final por parte do usuário.
Com o crescimento contínuo de plataformas que oferecem passagens aéreas, aluguel de veículos, hospedagem e pacotes turísticos integrados a sistemas de IA, o desafio passa a ser equilibrar conveniência e confiança. O relatório reforça que a maior oportunidade do setor reside em posicionar a inteligência artificial como aliada direta do turista, fornecendo recomendações personalizadas sem abrir mão da revisão humana.
Para os viajantes brasileiros, a mensagem é clara: a tecnologia deve facilitar, mas não dominar a experiência. Enquanto a expectativa por soluções inteligentes aumenta, a exigência por responsabilidade segue na mesma direção, definindo os próximos passos da transformação digital no turismo.




