Carta aberta canadense critica Congresso dos EUA por postura diante da fumaça de incêndios florestais

Leonardo Monteiro

Uma carta aberta assinada por um grupo que se apresenta como “Canada and The Planet D” foi divulgada nesta semana em resposta a um ofício enviado pelo Congresso dos Estados Unidos. No documento norte-americano, parlamentares expressam preocupação com a fumaça gerada pelos atuais incêndios florestais que atingem províncias canadenses e afeta a qualidade do ar em diversos estados ao sul da fronteira.

No texto de resposta, os signatários canadenses afirmam estar cientes do desconforto causado pela fumaça, mas criticam o tom de cobrança adotado pelos congressistas. A carta lembra situações em que o Canadá prestou auxílio aos EUA em momentos de crise, como no combate a incêndios na Califórnia, no envio de equipamentos médicos durante a pandemia de Covid-19 e na hospedagem de passageiros desviados após os ataques de 11 de setembro de 2001.

De acordo com o documento, quando incêndios de grandes proporções atingiram o oeste norte-americano em anos recentes, aeronaves canadenses de combate ao fogo foram enviadas sem queixas públicas ou exigência de contrapartidas. O texto menciona ainda equipes de bombeiros canadenses deslocadas para a Califórnia, Oregon e Washington para reforçar o combate às chamas.

A carta também faz referência à ajuda humanitária de 2001, quando aproximadamente 33 000 passageiros que viajavam para os Estados Unidos foram redirecionados a Gander, na província de Terra Nova e Labrador, após o fechamento do espaço aéreo norte-americano. Segundo os autores, a comunidade local recebeu os viajantes, providenciando alimentação e abrigo temporário.

Outro ponto destacado pelos signatários é o fornecimento de máscaras, luvas e outros itens de proteção individual ao sistema de saúde dos Estados Unidos em 2020, período em que hospitais norte-americanos enfrentavam escassez de suprimentos básicos durante o auge da pandemia.

Além de lembrar essas iniciativas, o grupo afirma que o Canadá investe em fontes de energia renovável com o objetivo de reduzir os riscos de incêndios exacerbados pelas mudanças climáticas. Na avaliação dos canadenses, políticas de incentivo a combustíveis fósseis e a revogação de normas ambientais nos Estados Unidos contribuem para o agravamento de fenômenos extremos que hoje impactam ambos os países.

A carta rebate ainda críticas de parlamentares norte-americanos sobre gestão florestal. Os autores reconhecem a dimensão dos incêndios atuais, mas ressaltam que o território canadense possui áreas de floresta equivalentes a duas vezes o tamanho do Texas e alega não ter negado a existência do aquecimento global. Eles argumentam que altas temperaturas, períodos prolongados de seca e atividades de desmatamento comercial, inclusive de empresas sediadas nos EUA, são fatores que ampliam a frequência e a intensidade dos focos de fogo.

Os signatários também citam problemas ambientais transfronteiriços provocados por atividades industriais norte-americanas, como o despejo de esgoto e resíduos químicos nos Grandes Lagos, chuvas ácidas resultantes de emissões de fábricas e a introdução de espécies invasoras transportadas por embarcações de carga. Esses exemplos são apresentados como contrapartida aos efeitos da fumaça que atravessa a fronteira neste verão boreal.

Em tom de apelo, a carta convida o Congresso dos EUA a priorizar iniciativas de cooperação diante do avanço das queimadas, defendendo o envio de equipes de combate ao fogo e investimentos conjuntos em prevenção climática, em vez de correspondências que atribuam responsabilidade unilateral. O texto encerra reiterando que “verdadeiros parceiros chegam com baldes, não com cartas de reclamação”.

Até o momento, o Congresso norte-americano não divulgou resposta oficial à manifestação canadense. Enquanto isso, as autoridades de ambos os países mantêm alertas de qualidade do ar e reforçam orientações de saúde pública para residentes nas áreas afetadas pela fumaça.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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