O ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), comunicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que deixará o comando da pasta. O aviso foi repassado em reunião realizada nesta sexta-feira (19). A decisão atende à resolução do União Brasil, que determinou o rompimento com o governo federal e orientou todos os filiados que ocupam cargos no Executivo a se afastarem imediatamente.
Sabino explicou ao presidente que cumprirá a orientação partidária, mas destacou que ainda possui compromissos institucionais em andamento. Entre eles, há agendas relacionadas à preparação da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), marcada para novembro de 2025 em Belém (PA). Segundo o ministro, a carta de demissão será entregue assim que Lula retornar da viagem aos Estados Unidos, onde participa da Assembleia Geral da ONU.
A decisão do União Brasil foi formalizada em resolução que prevê sanções internas para quem descumprir a orientação. O texto estabelece a possibilidade de instauração de processo disciplinar na Comissão Executiva Nacional, com punições que podem chegar à expulsão. Diante do risco de perder a filiação, Sabino optou por deixar o posto, encerrando um período de pouco mais de dois meses à frente da pasta.
Antes da determinação partidária, o ministro tentava permanecer no cargo. No início de setembro, buscou alternativas que incluíam licença temporária do partido ou afastamento parcial das funções políticas internas. As propostas, entretanto, não avançaram, e a Executiva Nacional do União Brasil manteve a orientação de rompimento.
Sabino, que assumiu o Ministério do Turismo em 14 de julho, vinha direcionando esforços para impulsionar o setor, com ênfase na captação de investimentos, ampliação da conectividade aérea e estímulo ao turismo sustentável. A pasta também lidera a organização da COP 30, evento que deverá reunir chefes de Estado, representantes de empresas e organizações internacionais na capital paraense.
O encerramento precoce da gestão coloca em aberto a condução das ações planejadas para a conferência climática, considerada estratégica pelo governo federal. Com o desligamento, o Palácio do Planalto terá de escolher um substituto para dar continuidade às negociações com organismos multilaterais, entidades de turismo e governo do Pará, anfitrião do encontro.

Imagem: panrotas.com.br
Dentro do União Brasil, a ruptura com o Executivo se deve a divergências sobre a relação do partido com o Palácio do Planalto. Alguns integrantes defendem integração ao governo, enquanto outra ala, predominante na Executiva Nacional, exige independência. A resolução aprovada reforça a segunda posição e obriga os filiados a deixarem cargos federais, incluídos ministérios, estatais e autarquias.
No Ministério do Turismo, Sabino era o único representante da sigla no primeiro escalão. A pasta foi originalmente oferecida à legenda em negociação para ampliar a base governista, mas encontrava resistência entre deputados e senadores do partido. Com a definição pela saída, a bancada do União Brasil no Congresso afirma que seguirá independente nas votações, analisando cada projeto de forma separada.
Até a formalização da demissão, Sabino continuará despachando normalmente, segundo informou sua assessoria. Ele pretende concluir compromissos administrativos e alinhar a transição de projetos considerados prioritários, como a campanha de promoção internacional do país e os acordos de infraestrutura turística firmados com estados e municípios.
O governo ainda não anunciou o nome do futuro titular da pasta. Auxiliares de Lula estudam perfis técnicos e políticos para preservar o cronograma da COP 30 e manter diálogos com o setor privado. Entre os critérios avaliados estão experiência em gestão pública, conhecimento do mercado turístico e capacidade de articulação com as bancadas estaduais do Norte e Nordeste, regiões consideradas chave para o evento de 2025.




