Celso Sabino confirma desligamento do Turismo, mas permanece no cargo até a COP30

Leonardo Monteiro

O ministro do Turismo, Celso Sabino, anunciou nesta sexta-feira, 26 de setembro de 2025, a entrega de sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A comunicação foi feita em coletiva no Palácio do Planalto, logo após reunião com o chefe do Executivo. Sabino deixa o cargo em atendimento a uma orientação do União Brasil, legenda à qual é filiado e que, em 18 de setembro, formalizou a retirada de apoio ao governo federal, determinando que todos os filiados se desvinculassem de funções no primeiro e no segundo escalões.

A legenda concedeu 24 horas para que seus integrantes apresentassem os pedidos de exoneração. No entanto, Lula solicitou que Sabino permaneça à frente do ministério por mais alguns dias, a fim de concluir compromissos ligados à 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), marcada para novembro em Belém. Dessa forma, o ministro continuará participando de agendas oficiais até a próxima semana e deverá acompanhar o presidente na capital paraense na sexta-feira, 3 de outubro, durante a inauguração de obras preparatórias para o evento.

Sabino assumiu o Ministério do Turismo em julho de 2023, substituindo Daniela Carneiro. Ao longo de pouco mais de dois anos de gestão, concentrou esforços na promoção internacional do Brasil, na ampliação da conectividade aérea e na melhoria da infraestrutura de destinos turísticos. Entre as ações conduzidas, estão programas de incentivo à atração de novas rotas, projetos de capacitação profissional para o setor e parcerias com estados e municípios visando modernizar aeroportos regionais e pontos de visitação.

A saída do ministro ocorre em um momento de reconfiguração política no Congresso Nacional. O União Brasil, partido resultante da fusão do DEM com o PSL, decidiu romper com a base aliada após divergências sobre pautas econômicas e a distribuição de cargos. Além de Sabino, a sigla mantém no primeiro escalão o ministro dos Esportes, André Fufuca, cujo futuro ainda não foi definido. Até o momento, não há confirmação se Fufuca seguirá o mesmo caminho ou se buscará negociação para permanecer na pasta.

Questionado se consideraria trocar de legenda para continuar no governo, Sabino limitou-se a afirmar que pretende manter o diálogo político. Ele ressaltou a importância de dar prosseguimento aos projetos em curso, mas reiterou que, nesta fase, cumpre integralmente a determinação partidária. Segundo o próprio ministro, eventuais mudanças de filiação dependerão de conversas futuras tanto com o União Brasil quanto com o Palácio do Planalto.

O desligamento de Sabino reacende o debate sobre a composição de forças na Esplanada dos Ministérios. Com a decisão do União Brasil, a administração federal terá de redistribuir pelo menos duas pastas ou negociar a permanência de titulares que optem por deixar o partido. No Congresso, a legenda dispõe de uma bancada expressiva e, ao declarar independência, pode influenciar votações relevantes, sobretudo em matérias de interesse econômico e fiscal.

Embora ainda sem substituto definido, interlocutores do governo indicam que a escolha deverá contemplar critérios técnicos e articulação política. A proximidade da COP30, evento de grande visibilidade internacional, reforça a necessidade de uma transição sem descontinuidade na condução do Turismo. A conferência será realizada pela primeira vez na Amazônia brasileira e exige coordenação entre diferentes esferas de governo para receber delegações de quase 200 países.

Na prática, Sabino continuará exercendo funções administrativas até a publicação oficial de sua exoneração no Diário Oficial da União. Durante esse período, ele viajará para Belém ao lado do presidente, acompanhará inspeções em obras de infraestrutura e participará de reuniões com autoridades locais. Entre os projetos em estágio avançado estão a revitalização do porto e a modernização do aeroporto internacional da cidade, considerados estratégicos para o fluxo de visitantes durante a conferência climática.

O impacto da troca de comando no Turismo também é acompanhado pelo setor privado. Entidades representativas de hotéis, companhias aéreas, agências de viagens e operadores de receptivo esperam que a futura liderança mantenha as frentes de trabalho já estruturadas, especialmente aquelas voltadas à promoção externa do país e à ampliação da malha aérea doméstica. Para as empresas, a estabilidade das políticas públicas é essencial na definição de investimentos e na retomada do crescimento pós-pandemia.

Com a confirmação da saída de Sabino, a equipe técnica do ministério iniciou levantamento de projetos prioritários para assegurar continuidade. Entre eles estão o Programa de Regionalização do Turismo, o Incentivo ao Turismo de Natureza e o apoio a pequenas e médias empresas do setor por meio de linhas de crédito específicas. A expectativa é que a transição seja concluída nas próximas semanas, sem comprometer as entregas previstas para a COP30 e para a alta temporada de verão.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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