O ministro do Turismo, Celso Sabino (União Brasil), comunicou à cúpula de seu partido que deixará oficialmente o cargo nesta sexta-feira, 26 de setembro. A informação, repassada à executiva nacional do União Brasil, ainda não foi formalizada junto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que não agendou a reunião solicitada por Sabino para ratificar a renúncia.
A pressão interna do União Brasil é apontada como o principal motivo para a decisão. Há uma semana, o ministro já havia manifestado a Lula sua intenção de sair, alegando cobrança da legenda para que abrisse mão da função. O presidente, que se encontrava em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas, pediu que o aliado aguardasse seu retorno ao país antes de qualquer anúncio público. Mesmo após a volta ao Palácio do Planalto, o encontro entre os dois não foi marcado, prolongando o impasse.
Prazo de 24 horas e risco de expulsão
A executiva nacional do União Brasil determinou a antecipação do desembarque do governo federal e concedeu 24 horas para que filiados entregassem seus cargos. Quem descumprisse a orientação poderia ser alvo de processo de expulsão. Diante da medida, Sabino avaliou não ter espaço político para resistir à determinação partidária e optou por se desligar imediatamente da pasta.
Antes de acatar a ordem, o ministro buscou uma saída negociada. Ele propôs à direção partidária a concessão de uma licença que lhe permitiria continuar no Ministério do Turismo até abril de 2026, limite legal para se desincompatibilizar caso decida disputar o Senado pelo Pará. A proposta foi rejeitada e o prazo de desfiliação não foi prorrogado.
Sinais de desgaste entre Planalto e União Brasil
Nos bastidores, dirigentes do União Brasil atribuem o recrudescimento das denúncias contra o presidente da sigla, Antônio Rueda, a uma possível influência do governo. Reportagem publicada pelo ICL e pelo UOL apontou, com base em depoimento de um piloto, suposta ligação de Rueda com aeronaves utilizadas pelo Primeiro Comando da Capital (PCC). O dirigente nega qualquer envolvimento. Integrantes do partido consideram que a exposição negativa aumentou a tensão e reforçou a decisão de romper com o Executivo.
Segundo a CNN, Lula solicitou a ministros e assessores que buscassem diálogo com Rueda para evitar a saída de Sabino e preservar a aliança no Congresso. A iniciativa, porém, não avançou. Com o cenário de ruptura confirmado, o ministro avaliou que não haveria condições políticas para permanecer no governo sem o respaldo da sigla que o indicou.
Trajetória de Sabino e impacto da saída
Celso Sabino é deputado federal licenciado pelo Pará e assumiu o Ministério do Turismo em agosto de 2023. Sua indicação contou com o apoio da bancada do União Brasil na Câmara e com a articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Alcolumbre também foi responsável por intermediar a nomeação de Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e de Frederico Siqueira Filho (Comunicações) para o primeiro escalão do governo Lula.
Com a saída anunciada, abre-se nova disputa pelo comando do Turismo. O Palácio do Planalto terá de definir um substituto capaz de manter ritmo de projetos em andamento, ao mesmo tempo em que equilibra a composição política da base no Congresso. A pasta coordena programas voltados à infraestrutura turística, à promoção internacional do Brasil e à capacitação de profissionais do setor, áreas consideradas estratégicas diante do crescimento recente da demanda interna e estrangeira.

Imagem: Divulgação via brasilturis.com.br
Para o União Brasil, a decisão reforça a estratégia de independência em relação ao governo e pode reposicionar o partido nas negociações legislativas. Parlamentares da sigla avaliam que a devolução dos cargos ampliará a margem de manobra para votações em temas como reforma tributária, pautas econômicas e projetos de interesse regional.
Próximos passos
Enquanto aguarda a formalização de sua saída, Sabino permanece ministro em caráter administrativo, mas já iniciou conversas com aliados no Pará sobre a campanha ao Senado em 2026. Ele planeja retomar o mandato de deputado federal até o prazo de desincompatibilização, caso o Palácio do Planalto não nomeie um substituto imediato.
O governo, por sua vez, avalia nomes técnicos e políticos para indicar à vaga. Cogita-se a possibilidade de contemplar outra legenda da base, mas também há defensores de manter o cargo sob responsabilidade de um quadro de perfil técnico, a fim de evitar novas tensões partidárias.
O setor de turismo acompanha atentamente a transição. Empresários e entidades representativas esperam que o sucessor de Sabino mantenha as prioridades da agenda vigente, que inclui expansão de rotas aéreas, estímulo ao turismo doméstico, parcerias internacionais e investimentos em infraestrutura de destinos emergentes.
Até que a exoneração seja publicada no Diário Oficial da União, Celso Sabino continua oficialmente à frente do ministério, embora já tenha comunicado a decisão de deixar o cargo. A confirmação de seu substituto e a acomodação política decorrente da saída do União Brasil permanecem em aberto, definindo o próximo capítulo da relação entre o partido e o governo federal.




