O Departamento de Comércio dos Estados Unidos avaliou como amplamente positivo o resultado do Experience USA, encontro realizado em 26 de setembro de 2025 no Tivoli Mofarrej São Paulo Hotel. A iniciativa, voltada ao fortalecimento das relações com o mercado turístico brasileiro, atraiu número de participantes acima do previsto e já impulsiona um plano de expansão da marca para outros nichos.
A organização registrou overbooking na inscrição de profissionais: cerca de 450 agentes de viagens compareceram às atividades de capacitação sobre destinos norte-americanos. Ao longo do dia, eles receberam informações detalhadas tanto sobre cidades consolidadas como Nova York e Orlando quanto sobre localidades que deverão ganhar visibilidade com a próxima Copa do Mundo e com o crescimento do turismo esportivo.
Emanuelle de Nadal, especialista em Viagens e Turismo do órgão norte-americano, classificou o encontro como um marco no relacionamento com o trade brasileiro. Segundo ela, a receptividade ao nome Experience USA confirmou o potencial da marca para funcionar como guarda-chuva de múltiplos projetos. “Este foi o primeiro de vários eventos que pretendemos anunciar, cada qual focado em experiências temáticas”, informou.
A próxima etapa do programa prevê encontros segmentados, como Experience USA Jazz, Experience USA Ski e Experience USA Wine. A ideia é atender públicos específicos e, ao mesmo tempo, apresentar novos destinos e produtos dentro do território norte-americano. “Queremos ampliar a percepção da diversidade cultural dos Estados Unidos e manter o fluxo de brasileiros, principal objetivo da iniciativa”, acrescentou Emanuelle.
Nathan Traurig, cônsul comercial dos EUA, reforçou a importância econômica do turismo para os dois países. O diplomata destacou que o setor gera empregos, movimenta cadeias de serviço e aprofunda conexões bilaterais. “Estamos motivados a crescer com mais parceiros. O turismo compõe parte fundamental da economia norte-americana”, declarou durante o balanço.
O modelo usado no Experience USA combinou três frentes de ação. A primeira contemplou workshops técnicos para agentes, que receberam conteúdo sobre documentação, logística aérea, hospedagem, aluguel de veículos e construção de roteiros temáticos. A segunda incluiu um media breakfast, encontro matinal que conectou representantes de destinos e empresas a veículos de comunicação tradicionais e digitais. A terceira envolveu reuniões B2B, nas quais operadoras brasileiras negociaram pacotes e condições comerciais diretamente com fornecedores dos Estados Unidos.
Com essa estrutura, o consulado buscou atender às demandas específicas de cada elo da cadeia. Agentes receberam treinamentos práticos para melhorar a experiência do consumidor final; operadores tiveram a oportunidade de ajustar programação e tarifário junto a parceiros norte-americanos; a imprensa pôde identificar pautas e tendências. De acordo com Traurig, o formato demonstrou eficiência e deve ser reproduzido nas demais edições temáticas.
Outro ponto mencionado pelos organizadores foi a diversificação de nichos. O crescimento do turismo de inverno, impulsionado por estações de esqui em estados como Colorado e Utah, e o interesse crescente por experiências enogastronômicas em regiões vinícolas da Califórnia, Washington e Oregon figuram entre os motivos para criar eventos específicos. A música, representada pelo jazz, também foi escolhida por conectar diferentes cidades, como Nova Orleans, Chicago e Nova York, a roteiros culturais contemporâneos.

Imagem: Matheus Alves via brasilturis.com.br
Embora o cronograma das próximas ações ainda não tenha sido divulgado, Emanuelle adiantou que haverá anúncios ao longo de 2026. A especialista enfatizou que cada edição contará com módulos de capacitação, painéis de mercado e sessões de networking, replicando a fórmula aprovada em São Paulo.
O sucesso do Experience USA reforçou a aposta no turismo de experiência, tendência que estimula viajantes a buscar atividades além do roteiro tradicional. Nesse contexto, o consulado pretende utilizar a marca-guarda-chuva para posicionar os Estados Unidos como destino versátil, capaz de atender desde entusiastas de esportes de inverno até amantes de vinhos e apreciadores de música.
Traurig avaliou que o engajamento do trade brasileiro indicou espaço para aumentar o leque de destinos promovidos no país. Hoje, roteiros clássicos concentram a maior parte das vendas, mas o consulado quer ampliar a oferta para regiões menos exploradas pelo público brasileiro, incluindo parques nacionais, cidades de médio porte e itinerários ligando múltiplos estados. “Nosso objetivo é diversificar a percepção do viajante, mostrando que há muito mais a conhecer além dos polos tradicionais”, afirmou.
Para os profissionais que participaram da primeira edição, a capacitação gratuita se traduziu em novos produtos a serem comercializados nos próximos meses. Operadores relataram que, após as reuniões B2B, já iniciaram negociações de bloqueios aéreos e contratos de hospedagem, antecipando a temporada de vendas de 2026.
Com a avaliação positiva consolidada, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos prepara agora o calendário das próximas iniciativas. O Experience USA Jazz deve ser o primeiro projeto temático a chegar ao mercado brasileiro, seguido por ações voltadas a esqui e enoturismo. A expectativa da representação norte-americana é manter a estratégia de crescimento sustentável da marca, a fim de atrair ainda mais viajantes brasileiros e fortalecer os laços entre os dois países por meio do turismo.




