Os controladores de voo vinculados à NAV Brasil decidiram suspender a paralisação que estava programada para os dias 24, 26 e 30 de setembro, além de 2 de outubro de 2025. A decisão foi tomada após audiência de conciliação realizada em 22 de setembro no Tribunal Superior do Trabalho (TST), conduzida pelo vice-presidente da Corte, ministro Mauricio Godinho Delgado. Com o entendimento, a categoria concordou em manter a prestação dos serviços essenciais de tráfego aéreo, evitando interrupções que poderiam afetar milhares de passageiros e operações de companhias aéreas em todo o país.
Na audiência, a NAV Brasil apresentou oficialmente seu Plano de Cargos e Salários (PCS), documento aguardado pelos trabalhadores e que havia sido encaminhado à Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) para análise. O plano estabelece critérios de progressão funcional e de remuneração, tema central das negociações entre empresa e sindicato. A formalização do PCS foi considerada passo decisivo para que a categoria recuasse da mobilização.
Outro ponto sensível discutido no encontro diz respeito ao plano de saúde corporativo. A empresa comprometeu-se a alterar a tabela de coparticipação, um dos principais motivos de insatisfação entre os controladores. Segundo representantes dos trabalhadores, o modelo vigente encarecia o atendimento médico, especialmente para funcionários com maior frequência de uso. O ajuste pactuado busca reduzir o impacto financeiro das consultas e procedimentos, preservando a sustentabilidade do benefício.
Para acompanhar a implementação do novo PCS e avaliar futuras melhorias, ficou acordada a criação de uma comissão paritária, formada por representantes da NAV Brasil e do sindicato. O grupo terá a tarefa de monitorar resultados, identificar eventuais distorções e propor adequações sem comprometer o cronograma de adoção do plano. Esse mecanismo de acompanhamento foi apontado pelas partes como garantia de transparência e diálogo contínuo.
Além dos temas imediatos, empresa e entidade sindical retornarão à mesa de negociação para tratar do próximo acordo coletivo de trabalho. Ficou aberta a possibilidade de que o próprio TST atue novamente como mediador, caso seja necessário destravar impasses. Para o ministro Mauricio Godinho Delgado, a manutenção de canais institucionais de diálogo contribui para evitar disputas judiciais prolongadas e prejuízos aos usuários do transporte aéreo.
A audiência contou com a participação de juízes e juízas que integram o Centro Judiciário de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Cejusc/TST): Déa Marisa Brandão Cubel Yule, Flávia Cristina Rossi Dutra, Roberta de Melo Carvalho e Bruno Alves Rodrigues. O apoio do Cejusc foi reconhecido pelas partes como fator decisivo para viabilizar o entendimento em tempo hábil, considerando a proximidade da data inicialmente marcada para o início da greve.

Imagem: Reprodução via brasilturis.com.br
Com a suspensão do movimento paredista, foram evitados impactos diretos em atividades críticas do controle de tráfego aéreo, como autorizações de decolagem e pouso, recepção de planos de voo, orientação de rotas e envio de mensagens meteorológicas. Esses serviços, se interrompidos, poderiam gerar atrasos, cancelamentos e custos adicionais para companhias aéreas, além de transtornos aos passageiros.
O setor de turismo e transporte acompanhava com apreensão o desenrolar das negociações, pois o fim de setembro costuma registrar aumento no fluxo de viajantes a lazer e a trabalho. Operadores turísticos e empresas de aviação avaliavam planos de contingência caso a greve fosse mantida. Com o acordo firmado, a expectativa é de manutenção da normalidade operacional nos aeroportos brasileiros durante o período, o que traz alívio para agências de viagem, hotéis e empresas de locação de veículos.
Embora o entendimento afaste, por ora, o risco de paralisação, trabalhadores destacaram que a continuidade das negociações será determinante para consolidar avanços. A comissão paritária deve iniciar trabalhos imediatamente após a homologação do PCS pela Sest. As discussões sobre cláusulas econômicas e sociais do próximo acordo coletivo também têm previsão de retorno em breve, sob acompanhamento do TST.
Para passageiros que planejam viagens no período anteriormente ameaçado pela greve, a orientação das companhias aéreas é verificar a situação de voos diretamente nos canais oficiais. Com a suspensão do movimento, cronogramas de decolagens e chegadas permanecem inalterados. Caso se precise remarcar passagens, alugar veículos ou reservar hospedagens, seguem disponíveis opções de desconto e facilidades em plataformas especializadas.



