Custos de distribuição viram foco estratégico para hotéis que buscam maior rentabilidade

Leonardo Monteiro

O gerenciamento de canais de distribuição deixou de ser um assunto restrito à operação e passou a integrar a agenda estratégica da hotelaria brasileira. A constatação foi apresentada por Paulo Salvador, sócio da consultoria Noctua Advisory, durante palestra no Fórum Nacional da Hotelaria. O especialista detalhou como a soma dos gastos ligados à distribuição pode reduzir de forma significativa a receita líquida dos empreendimentos e apontou caminhos para amenizar o impacto sobre a lucratividade.

Distribuição entra no grupo dos grandes centros de custo

De acordo com Salvador, distribuir diárias envolve bem mais do que as comissões pagas às agências de viagem on-line. O processo figura entre os seis principais centros de custo de um meio de hospedagem e abrange itens como conectividade, programas de fidelidade, descontos, campanhas de marketing digital e sobrecargas de tecnologia e gestão. Quando todos esses elementos são somados, o peso financeiro chega a comprometer até 30% do valor final que entra no caixa do hotel.

O especialista ressaltou que, embora a comissão de agências e agregadores seja o aspecto mais visível, ela representa apenas a ponta do iceberg. Estudos de mercado citados por ele indicam que as taxas cobradas por OTAs variam entre 10% e 30% da diária, patamar que se eleva consideravelmente quando somado a custos de Google, metasearch, redes sociais, políticas promocionais e taxas de programas de fidelidade.

Componentes que compõem o custo de distribuir

Para medir de forma precisa o impacto na rentabilidade, Salvador elencou os principais fatores que precisam ser considerados pelos gestores:

  • Conectividade e taxas de IDS – portais on-line, OTAs e sistemas que distribuem tarifas na internet.
  • Comissões de OTAs e agregadores – percentuais incidentes sobre cada reserva intermediada.
  • Custos de campanhas digitais – investimentos em Google Ads, metasearch e redes sociais.
  • Descontos e promoções – cortes de tarifa e políticas diferenciadas para estimular volume.
  • Programas de fidelidade – taxas administrativas e benefícios concedidos ao hóspede.
  • Overheads de gestão e integrações – despesas de TI, conectores e manutenção de sistemas.

Segundo o palestrante, hotéis que monitoram apenas a comissão ficam sem visibilidade do montante real desembolsado para concretizar cada reserva. “Quando o gestor observa a cifra completa, percebe que o custo é um dos poucos grandes indicadores plenamente administráveis”, afirmou.

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Imagem: panrotas.com.br

Recomendações para reduzir gastos e elevar margem

Em busca de estrutur ar um modelo mais rentável, Salvador apresentou um conjunto de iniciativas destinadas a equilibrar o mix de canais e otimizar investimentos:

  • Plataforma de topline – ferramenta única que concentre dados de receita e custos por canal, permitindo direcionar o orçamento de marketing para as frentes de maior retorno.
  • Mapeamento de custos – mensuração periódica não apenas de comissões, mas também de fees de conectividade, gastos com mídia e incentivos tarifários.
  • Estímulo à venda direta – ofertas exclusivas no site oficial, benefícios extras e programas de fidelidade voltados para reservas sem intermediários.
  • Uso de inteligência artificial e automação – soluções de precificação dinâmica, previsão de demanda e segmentação que reduzam desperdícios em canais pouco lucrativos.
  • Melhoria do site e das centrais de reserva – páginas mobile-first, imagens atualizadas, processo de compra simplificado e integração com meios de pagamento virtuais.
  • Gestão do risco de dependência – diversificação de canais para evitar situações em que um único parceiro responda por 50% ou 60% das vendas.
  • Integração entre marketing, revenue management e vendas – adoção de uma plataforma compartilhada para alinhar prioridades e garantir coerência entre campanhas e política de preços.

Impactos esperados na operação diária

O consultor reforçou que as mudanças envolvem menos tecnologia e mais cultura de decisão baseada em dados. Ao identificar quanto custa cada reserva, o hotel pode realocar verbas, renegociar contratos e priorizar ações que ampliem a margem do GOP (lucro operacional bruto). Exemplos de mercado mostram que unidades com melhor desempenho em venda direta seguem rotinas rígidas de atualização de conteúdo, manutenção de campanhas e integração completa entre canais mobile, redes sociais e central de atendimento.

Para Salvador, controlar a distribuição significa comandar um dos gastos mais relevantes, porém passíveis de gestão, dentro da estrutura hoteleira. “Medir com precisão, investir onde existe retorno comprovado e empregar tecnologia para escalar decisões” foram os três pilares destacados como fundamentais para quem busca ampliar rentabilidade em um ambiente de concorrência acirrada e margens pressionadas.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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