Icelandia reúne elementos de clima rigoroso, solo vulcânico e mares frios para formar uma culinária singular, na qual técnicas de conservação antigas convivem com criações contemporâneas. A seguir, veja 15 pratos considerados essenciais para quem deseja conhecer a cultura gastronômica do país.
Peixes e frutos do mar
Plokkfiskur é um ensopado cremoso preparado com peixe branco desfiado, batata e cebola ligados por molho à base de manteiga. Nasceu como forma de aproveitar sobras de pescado e, hoje, é encontrado de cafés de estrada a restaurantes da capital.
Humar corresponde ao lagostim islandês, famoso pela carne adocicada. É servido grelhado, em sopas ou sobre pizzas na cidade de Höfn, principal área de captura. A atividade pesqueira é controlada para preservar o estoque.
Harðfiskur consiste em tiras de bacalhau, arinca ou peixe-lobo secas ao ar livre. O método, praticado há mais de um milênio, garante alimento leve, rico em proteína e de longa duração, vendido em mercados e postos de combustível.
Char do Ártico é um peixe de água fria intermediário entre salmão e truta em textura. Pode ser grelhado, defumado ou frito na manteiga, sobretudo no leste da ilha, onde a pesca em lagos e rios é tradicional.
Fish and chips não é criação local, mas ganhou destaque graças à qualidade do bacalhau e do arinca capturados no Atlântico Norte. É preparado com empanado leve e acompanhado de batatas rústicas.
Carnes e pratos de inverno
Kjötsúpa é a sopa de cordeiro cozida com raízes, batatas e ervas frescas. Bastante consumida nas áreas rurais, oferece calor e sustento durante os meses de frio intenso.
Hangikjöt, o “carne pendurada”, resulta da defumação do cordeiro sobre lenha de bétula ou esterco seco de ovelha. Presença marcante nas ceias de dezembro, acompanha batata, repolho-roxo e pão folha típico.
Pylsur, o cachorro-quente nacional, leva mistura de cordeiro, porco e boi. É servido com cebola crua, cebola frita, ketchup de maçã, mostarda e remoulade. Barracas de rua em todo o país vendem a versão completa chamada “ein með öllu”.
Pães e laticínios
Rúgbrauð é o pão de centeio adocicado que assa por cerca de 24 horas enterrado em areia aquecida por fontes termais. A técnica surgiu antes da popularização de fornos e permanece viva em localidades como Laugarvatn.
Flatkaka é um disco fino de centeio cozido na chapa, consumido com cordeiro defumado, queijo cremoso ou patê de fígado. Prático, servia de base para refeições de agricultores e pescadores.

Imagem: the likes of Forbes Magazine via theplanetd.com
Skyr, classificado como queijo fresco, tem textura semelhante à do iogurte grego, porém mais densa e rica em proteína. Produzido desde os assentamentos vikings, figura em cafés da manhã, lanches e sobremesas.
Queijos artesanais incluem pastas derivadas do skyr, queijos moles e o brunost, feito do soro caramelizado que resulta em sabor adocicado. São encontrados em mercados especializados e tábuas servidas em bares de vinho.
Sobremesas e panificação
Ís, o sorvete islandês, é consumido o ano inteiro, mesmo sob neve. Aparece em formato soft com cobertura de chocolate ou em sabores criativos como ruibarbo e alcaçuz nas gelaterias de Reykjavík.
Kanilsnúðar equivale ao rolo de canela. A massa amanteigada enrola açúcar e especiaria, recebendo glacê ou açúcar granulado. Padarias produzem fornadas diárias, procuradas tanto no café da manhã quanto à tarde.
Preparações tradicionais incomuns
Hákarl é a carne de tubarão-da-Groenlândia fermentada por meses e depois seca. O processo neutraliza substâncias tóxicas naturais do animal. Geralmente é provada em porções pequenas, acompanhada do destilado Brennivín, com cominho.
Bebidas
Brennivín, conhecido como “Morte Negra” pela antiga rotulagem escura, é aguardente clara aromatizada com sementes de cominho. Costuma ser servida em celebrações sazonais, como o festival Þorrablót.
Cervejas artesanais ganharam força após o fim da proibição da bebida em 1º de março de 1989, data lembrada como o Dia da Cerveja. Microcervejarias utilizam água de degelo e ingredientes locais, oferecendo rótulos que vão de lagers leves a stouts com ervas nativas.
Contexto histórico
A oferta limitada de grãos e vegetais em solo insular levou a população a focar em cordeiro, laticínios e frutos do mar durante mais de mil anos. Métodos como defumação, secagem, fermentação e cocção geotérmica asseguravam alimentos durante os invernos longos e, ao mesmo tempo, moldaram sabores característicos. Atualmente, estufas geotérmicas permitem a produção de tomates e pepinos o ano inteiro, enquanto chefs combinam ingredientes ancestrais com técnicas modernas, criando menus que atraem visitantes e renovam o interesse pela herança culinária.
Para quem planeja viajar ao país, provar esses 15 itens representa um percurso pela história, pela geografia e pelos hábitos sociais islandeses. Informações sobre passagens aéreas, aluguel de veículos, hospedagem e pacotes turísticos estão disponíveis nos links indicados acima.




