Grupo Abra avalia adquirir jatos Embraer E2 ou Airbus A220 para ampliar frota de suas companhias

Leonardo Monteiro

O Grupo Abra, controlador das companhias aéreas Gol, Avianca e Wamos Air, avalia incorporar aeronaves Embraer E2 ou Airbus A220 às frotas das empresas que compõem o conglomerado. A informação foi confirmada pelo presidente da Gol, Celso Ferrer, em entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo. Segundo o executivo, a possível encomenda faz parte da estratégia da holding e será analisada “no momento certo”, sem prazo anunciado.

A discussão sobre novos modelos surge poucos dias após a Gol revelar a aquisição de sete Airbus A330-900neo, aviões de fuselagem larga destinados a voos de longa distância. Esses aparelhos serão entregues ao Grupo Abra, que definirá posteriormente qual marca receberá cada unidade. Ferrer, no entanto, já manifestou interesse em ver o A330 operando com a pintura da Gol no Brasil.

Além dos A330-900neo, a carteira de pedidos do Grupo Abra inclui cinco Airbus A350, 50 Airbus A320neo e quase 100 Boeing 737 MAX, estes últimos direcionados prioritariamente à Gol. A diversificação em curso contrasta com a política da companhia brasileira ao longo de duas décadas, período em que manteve frota composta exclusivamente por variantes do 737.

Ferrer afirmou que, dentro da estrutura do Grupo Abra, torna-se possível acessar diferentes fabricantes e ampliar o leque de aeronaves disponíveis. “Antes, a Gol tinha uma frota única; agora estamos observando Embraer, A220, A330”, declarou o executivo, ressaltando que qualquer decisão dependerá de avaliação conjunta para evitar excesso de capacidade.

A possibilidade de a Gol adotar o Embraer E2 ganhou força em setembro, quando o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, declarou que a empresa estava “na fila” para anunciar a compra do jato brasileiro. A fala ocorreu logo após a Latam concluir acordo para até 74 unidades do E2, reforçando a presença da Embraer nas três maiores companhias nacionais — Azul já opera o modelo anterior, E1, e aguarda também a nova geração.

Se confirmado, o negócio marcaria a entrada de equipamentos fabricados no país na frota da Gol, permitindo à empresa disputar de forma mais equilibrada rotas regionais de menor demanda, hoje atendidas principalmente por jatos da Embraer na Azul e, em breve, na Latam. O Airbus A220, alternativa analisada, oferece capacidade semelhante e poderia cumprir função equivalente dentro da malha do grupo.

Atualmente, cada companhia controlada pela Abra opera tipos distintos de aeronaves. A Gol utiliza apenas Boeing 737; a Avianca voa com Airbus A319, A320 e Boeing 787; já a Wamos Air mantém frota baseada no Airbus A330. Com as encomendas em andamento — A350, A330, A320neo e 737 MAX — e a eventual chegada do E2 ou do A220, o portfólio de modelos tende a tornar-se ainda mais diversificado.

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Imagem: melhoresdestinos.com.br

Para a Avianca, o A320neo desponta como alternativa natural à renovação e expansão de sua frota de corredor único. O A330, já operado pela Wamos Air, pode ser redistribuído entre as empresas, enquanto o A350 ainda não tem destino definido dentro do grupo. Ferrer não descartou, por exemplo, que os Boeing 787 hoje utilizados pela Avianca possam migrar para a Gol em determinado momento, embora admita que a mudança exigiria ajustes operacionais significativos.

A introdução de qualquer novo tipo de aeronave implica treinamento adicional para tripulações, equipes de manutenção e pessoal de solo. No caso da Gol, a familiaridade com a plataforma Boeing facilitaria a assimilação do 787, mas a adoção de jatos Embraer ou Airbus demandaria implantação de processos inéditos para a empresa. Esse fator pesa na análise de custo-benefício, sobretudo diante do histórico de operação de frota padronizada.

Do ponto de vista de mercado, a presença simultânea de Embraer E2 na Azul, Latam e possivelmente Gol reforçaria a participação da fabricante brasileira na aviação comercial latino-americana. Já o Airbus A220, se escolhido, introduziria um produto único na região, posicionando o Grupo Abra com oferta diferenciada frente às concorrentes domésticas.

Por enquanto, o conglomerado não detalhou cronograma nem quantidade de unidades em avaliação para o E2 ou o A220. Questionado, o Grupo Abra preferiu não comentar as declarações do CEO da Gol. A decisão final dependerá da evolução das negociações com os fabricantes, do cenário financeiro das companhias e da perspectiva de demanda em suas rotas internacionais e domésticas.

Enquanto o futuro da frota é desenhado, a Gol segue recebendo Boeing 737 MAX, parte de encomenda próxima a 100 unidades. Essas entregas garantem continuidade ao processo de renovação iniciado antes da formação do Grupo Abra e mantêm a estratégia de padronização em torno do 737 no curto prazo. A eventual chegada de aeronaves de outros fabricantes, contudo, sinaliza mudança importante na cultura operacional da companhia e ampliação da flexibilidade para atender mercados de diferentes perfis.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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