Guilherme Paulus defende turismo baseado em experiências sensoriais e autenticidade

Leonardo Monteiro

Durante um café da manhã com agentes de viagens em Florianópolis, realizado em 28 de outubro de 2025, o empresário Guilherme Paulus apresentou sua visão sobre o futuro da hospitalidade. Fundador de empresas como CVC, WebJet e GJP Hotels & Resorts, além de proprietário do Castelo Saint Andrews, em Gramado, o executivo concentrou a exposição em um ponto central: experiências que gerem emoção, memória e significado serão o principal diferencial competitivo do setor.

Em vez de abordar projeções de mercado ou métricas de desempenho, Paulus adotou uma abordagem conceitual. Para ele, a vantagem das marcas será a capacidade de criar vínculos afetivos com o viajante, transformando cada etapa da jornada em oportunidade de conexão sensorial. Segundo o empresário, a elegância do serviço moderno está menos ligada à ostentação e mais à autenticidade percebida em detalhes como aroma, iluminação, textura, som ambiente e gastronomia.

O Castelo Saint Andrews, localizado no Vale do Quilombo e integrante da associação Relais & Châteaux, serviu como exemplo prático desse modelo de hospitalidade. Paulus explicou que o empreendimento investe em curadoria de experiências: menus elaborados por chefs convidados, carta com mais de 500 rótulos de vinho, terapias de bem-estar e jantares ao ar livre. A proposta, afirmou, é despertar sensações que permaneçam na memória do hóspede, superando a simples exibição de luxo tangível.

Diante de operadores, consultores e representantes do trade catarinense, o empresário reforçou que a procura por contato com o essencial e com a natureza tende a ganhar importância no turismo de alto padrão. Ele avaliou que encantar vai além de agradar: demanda escuta ativa, cuidado individualizado e propósito claro. Nesse contexto, experiências guiadas por profissionais que entendam os desejos do visitante podem substituir benefícios tradicionais, como upgrades ou brindes ligados a programas de pontos.

Paulus apresentou ainda oito tendências que, em sua avaliação, direcionarão o mercado global até 2030. A primeira envolve o uso contínuo de ferramentas de inteligência artificial. Do planejamento de roteiros a traduções em tempo real e concierges digitais, esses recursos devem se tornar companheiros permanentes do viajante, possibilitando recomendações hipercontextualizadas.

A segunda tendência destacada é o crescimento dos roteiros multidestinos. Com maior flexibilidade de voos e hospedagens, o turista tende a iniciar e finalizar a viagem em aeroportos diferentes, combinando cidades de forma mais dinâmica. Em seguida, o empresário apontou o bem-estar como motivação principal do deslocamento, incluindo programas de sono reparador, alimentação equilibrada e descompressão emocional.

No quarto tópico, denominado “feedbooking”, as redes sociais aparecem como vitrine e canal de venda simultâneos. Influenciadores assumem papéis de curadores e intermediários de reserva, enquanto plataformas como Instagram e TikTok funcionam como ferramentas de pesquisa. A quinta tendência abrange viagens virtuais baseadas em realidade aumentada, experiências em 4D e concierges holográficos. Segundo Paulus, essas soluções permitirão degustações imersivas que antecedem a visita física ao destino.

O turismo fora da rota, sexto item da lista, deve valorizar pequenas cidades, comunidades remotas e regiões agrícolas. O executivo argumentou que a exclusividade passará a ser definida pelo acesso restrito e pela intimidade com a cultura local, não apenas pelo valor do pacote. Na sequência, ele apontou o crescimento de roteiros espirituais, que incluem meditação, genealogia e reconexão com ambientes naturais.

Por fim, Paulus descreveu a “fidelidade emocional” como oitava tendência. De acordo com o empresário, programas convencionais de milhagens devem ceder espaço a ofertas personalizadas, desenvolvidas por equipes humanas ou inteligência artificial, que reforcem o senso de pertencimento do cliente à marca.

Ao concluir a apresentação, o fundador da CVC observou que, em um mercado cada vez mais digital, o toque humano continua indispensável para entregar significado. Ele reforçou que emoção, memória e autenticidade formam o tripé do novo luxo e que as empresas que souberem integrar esses elementos terão maior capacidade de se diferenciar.

Com décadas de atuação no turismo nacional e internacional, Paulus considera que agentes de viagem permanecem essenciais nesse cenário. Para ele, esses profissionais deixam de vender apenas pacotes e assumem a função de curadores de experiências, responsáveis por selecionar fornecedores, alinhar expectativas e garantir que cada detalhe contribua para uma lembrança positiva e duradoura.

Em resumo, a exposição em Florianópolis posicionou a hospitalidade artesanal, o contato com a natureza e a aplicação de tecnologia como pilares de um modelo de turismo orientado ao significado. Segundo Guilherme Paulus, compreender e ampliar a dimensão sensorial da viagem será determinante para atender às demandas de um público que busca mais do que estadias confortáveis: procura narrativas que façam sentido e sejam lembradas além do retorno para casa.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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