A Associação Latino-Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev) apresentou, em 20 de agosto, a segunda edição do Index 2025, estudo elaborado em parceria com o economista Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP. O documento consolida projeções macroeconômicas para orientar o planejamento financeiro de empresas que contratam serviços de viagens de negócios.
Entre os destaques, o levantamento aponta que o volume de viagens corporativas deve crescer cerca de 18% até dezembro de 2025, ritmo impulsionado por uma expansão média superior a 7% ao mês em relação a 2024. O comportamento é mais acentuado em grandes centros, notadamente São Paulo, onde a elevada ocupação de hotéis e centros de convenções limita a margem de negociação de tarifas.
Inflação e indicadores econômicos
O estudo indica inflação medida pelo IPCA de aproximadamente 5% ao fim de 2025, seguida de redução para um intervalo entre 4% e 4,5% em 2026. Segundo Dietze, o IPCA continua sendo o indexador mais adequado para reajustes contratuais, pois reflete diretamente o padrão de consumo das famílias, incluindo alimentação fora do lar, hospedagem e transporte.
Para o Produto Interno Bruto, a expectativa é de crescimento de 2,2% em 2025, com desaceleração para patamar inferior a 2% em 2026. A projeção considera a manutenção de juros elevados, fator que restringe investimentos e, consequentemente, desacelera a atividade econômica.
Câmbio e influência no setor aéreo
O Index estima cotação do dólar entre R$ 5,30 e R$ 5,40 no período analisado. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos tende a atrair capital especulativo, fortalecendo o real e ajudando a conter pressões inflacionárias. A estabilidade cambial tem efeito direto sobre o transporte aéreo, já que cerca de 60% dos custos das companhias estão atrelados à moeda americana.
Com câmbio relativamente controlado e preço do petróleo previsto entre US$ 66 e US$ 70 o barril, a análise sugere manutenção ou possível redução das tarifas aéreas em 2026. Esse cenário contribui para o planejamento de orçamentos de viagens, diminuindo a volatilidade de custo que empresas enfrentam ao precificar deslocamentos de funcionários.
Custos específicos pressionam orçamentos
Apesar da perspectiva de inflação moderada, alguns itens representam pressão adicional. Nos últimos 12 meses, o aluguel de veículos subiu 16% e as despesas com alimentação fora do domicílio aumentaram 8%, variações superiores ao índice geral de preços. Já o IGP-M, comumente utilizado em contratos de locação de espaços, recuou para 4,4% em julho e pode encerrar o ano próximo da estabilidade.
Dietze recomenda que gestores utilizem uma inflação projetada de 4,5% como base de cálculo, acrescentando margem de segurança entre 1 e 2 pontos percentuais para absorver imprevistos. Ele destaca que o crescimento acima da média no mercado de viagens corporativas oferece argumento adicional em negociações, mas reforça a necessidade de flexibilidade para ajustes periódicos.

Imagem: Divulgação via brasilturis.com.br
Diferentes realidades regionais
O estudo revela que a expansão da demanda é heterogênea. Nos principais polos econômicos, a ocupação elevada reduz o poder de barganha das empresas compradoras. Em contrapartida, regiões como o Nordeste apresentam tendência de arrefecimento mais visível, o que pode abrir espaço para negociações favoráveis em hospedagem e locação de espaços.
Essa diferença regional exige análise segmentada dos gastos. Empresas com operações distribuídas pelo país podem otimizar orçamento direcionando eventos ou reuniões a localidades com maior disponibilidade e preços mais acessíveis, sem comprometer a qualidade dos serviços contratados.
Ferramenta de apoio ao planejamento
O Index 2025 foi concebido para funcionar como referência prática ao elaborar orçamentos de médio e longo prazo. Além dos dados macroeconômicos, o material reúne tabelas comparativas e séries históricas que possibilitam simulações de impacto sobre custos de viagem, hospedagem e alimentação.
De acordo com a Alagev, o documento está disponível para consulta na área restrita a associados, na guia Conteúdo+. A entidade ressalta que as projeções não substituem análises internas, mas oferecem base argumentativa para renegociar contratos e ajustar políticas de viagem à luz de tendências econômicas.
Com perspectivas de expansão consistente da demanda, estabilidade cambial e inflação sob controle, o cenário traçado pelo estudo reforça a importância de planejamento contínuo. A recomendação central é combinar previsões econômicas realistas com margens de segurança, garantindo agilidade na revisão de metas diante de eventuais mudanças no ambiente de negócios.




