Meliá Hotels International traçou uma meta de crescimento que deverá quase duplicar a presença da rede na América Latina. A empresa, que hoje administra 22 empreendimentos na América do Sul, projeta chegar a 50 hotéis na região dentro de um prazo de cinco anos, excluindo dos cálculos as unidades já operantes no México e em Cuba. O plano foi detalhado pelo diretor para a América Latina, Victor Donmez, durante entrevista concedida em São Paulo.
Segundo o executivo, a maior parte dos contratos firmados recentemente está concentrada fora do Brasil, com destaque para a Argentina e o Peru. Na Argentina, o grupo aguarda a finalização de obras em diferentes áreas do país, incluindo a Patagônia e a capital Buenos Aires, onde estão previstas novas unidades da bandeira de estilo de vida INNSiDE e hotéis da coleção de luxo Casa Lucia. No Peru, duas construções avançam em ritmo acelerado: um projeto em Cusco e outro no centro histórico de Lima, este último com abertura estimada para 2026.
Apesar do foco inicial em outros mercados latino-americanos, o Brasil permanece como prioridade estratégica. Atualmente, a rede opera 12 hotéis no território brasileiro e trabalha para elevar esse número a 25 nos próximos cinco anos. De acordo com Donmez, quatro ou cinco negociações estão em andamento, mas ainda não podem ser divulgadas. A expansão vai considerar diferentes segmentos de hospedagem, do corporativo ao lazer, com distribuição em variados destinos nacionais.
A importância do mercado brasileiro para a companhia é ressaltada por múltiplos indicadores. Além de movimentar um fluxo doméstico robusto, o país exerce influência significativa no turismo emissivo dentro da América Latina. Dados internos da Meliá indicam que, em determinados destinos da região, hóspedes brasileiros representam até 35% da ocupação. Em resorts de lazer no Caribe, o percentual gira em torno de 10%, reforçando a relevância do Brasil na composição de receitas internacionais.
O perfil do turista brasileiro, apontado pelo grupo como culturalmente curioso e interessado em experiências gastronômicas, sustenta parte da estratégia de desenvolvimento de novos empreendimentos. A empresa avalia que o comportamento de consumo desse público estimula a diversificação de produtos, viabilizando tanto hotéis urbanos quanto resorts voltados ao lazer. A política de expansão contempla, portanto, projetos adaptáveis a diferentes faixas de demanda.
Além de inaugurar novos endereços, a Meliá investe em modernização de ativos já operacionais. No Brasil, três reformas recebem atenção especial: as unidades de Brasília, Campinas e o empreendimento localizado na Avenida das Nações Unidas, em São Paulo. As intervenções abrangem atualização de áreas comuns, renovação de apartamentos e implantação de tecnologias voltadas à eficiência energética e à experiência do hóspede. O objetivo é alinhar os hotéis aos padrões mais recentes da companhia.

Imagem: Rafael Destro via brasilturis.com.br
No âmbito latino-americano, os planos de renovação seguem lógica semelhante. Segundo a rede, melhorias em design, sustentabilidade e digitalização serão executadas de forma contínua, a fim de garantir competitividade frente à crescente oferta de marcas globais. O cronograma de investimentos prevê, ainda, a capacitação de equipes locais para adoção de protocolos de operação mais ágeis e uniformes.
Para apoiar a expansão, a empresa mantém diálogo constante com investidores e parceiros imobiliários. A estratégia envolve contratos de gestão, franquias e, em casos selecionados, operações híbridas. Dessa forma, a Meliá pretende distribuir riscos, acelerar prazos de abertura e adaptar formatos às realidades econômicas de cada país. Os projetos em desenvolvimento na Argentina e no Peru ilustram esse modelo, combinando capital local com know-how internacional.
A ampliação do portfólio latino-americano também reflete o cenário de retomada do turismo regional pós-pandemia. A rede avalia que a normalização gradual das fronteiras e a crescente demanda por viagens de lazer impulsionam novas oportunidades, especialmente em destinos que oferecem atrativos culturais e naturais. Ao mesmo tempo, o segmento corporativo retoma eventos presenciais, o que reforça a necessidade de hotéis com infraestrutura para convenções e reuniões.
Com o plano de chegar a 50 unidades e a meta de praticamente dobrar a operação no Brasil, a Meliá dá continuidade a uma trajetória de crescimento iniciada há mais de três décadas na América Latina. A consolidação dessas metas dependerá do cumprimento dos cronogramas de construção, da evolução da economia regional e da capacidade da rede em adequar produtos às diferentes exigências de consumidores locais e estrangeiros.




