Proibição dos EUA a aeronave arrendada obriga Azul a alterar rotas internacionais

Leonardo Monteiro

O Departamento de Transportes dos Estados Unidos (DOT) negou, no início de agosto, a autorização solicitada pela companhia portuguesa HiFly para operar voos entre Belo Horizonte (Confins) e Orlando, na Flórida. A decisão afeta diretamente a Azul, que utiliza aeronaves e tripulação da HiFly em regime de aluguel para parte de suas rotas internacionais. Como resultado, a aérea brasileira foi obrigada a rever imediatamente a programação de frota para esse e outros trajetos.

Para garantir a continuidade da ligação entre Minas Gerais e o estado americano, a Azul escalou um Boeing 767-300 da EuroAtlantic Airways, outra empresa especializada em fornecimento de aeronaves com tripulação. O jato da EuroAtlantic, com pouco mais de duas décadas de operação, passa a cumprir as frequências que eram planejadas para a HiFly. Em contrapartida, o equipamento da HiFly será transferido para as rotas que partem do Recife em direção à Europa, substituindo o avião que até então atendia essa ligação.

Embora a idade de uma aeronave não determine, por si só, critérios de segurança, o 767-300 utilizado pela EuroAtlantic apresenta cabine mais antiga e configurações de assentos inferiores ao padrão oferecido pela frota própria da Azul. A mudança representa, portanto, redução perceptível de conforto para os passageiros que partem de Belo Horizonte rumo à Flórida, segmento que vinha sendo operado com jatos Airbus A330 da própria companhia.

A negativa do DOT não veio acompanhada de explicações detalhadas sobre os motivos que levaram o órgão regulador a barrar a solicitação da HiFly. Sem essa autorização, a transportadora portuguesa fica impedida de conduzir voos comerciais regulares para os Estados Unidos utilizando suas aeronaves com matrícula europeia, impactando diretamente parceiras como a Azul que dependiam dessa capacidade extra.

O modelo de contratação adotado pela empresa brasileira é conhecido no setor como ACMI, sigla em inglês para Aircraft, Crew, Maintenance e Insurance. Nesse formato, a locadora fornece a aeronave, toda a tripulação, manutenção e seguro, enquanto a operadora contratante assume a comercialização dos bilhetes e o planejamento da rota. Esse arranjo tem se mostrado mais frequente desde a pandemia de Covid-19, período em que atrasos na cadeia global de suprimentos levaram fabricantes como Boeing, Airbus e Embraer a postergar a entrega de novas encomendas.

Com a frota própria incompleta e a demanda internacional em recuperação, o aluguel de aviões se tornou solução temporária para diversas companhias. No entanto, o uso de aeronaves externas pode acarretar disparidades perceptíveis para o passageiro, que vão da pintura externa ao layout interno, passando por sistemas de entretenimento e serviço de bordo. Na prática, o consumidor pode embarcar em um voo comprado com a marca Azul, mas encontrar cabine que segue padrões de outra empresa.

No caso específico da rota Belo Horizonte-Orlando, o Boeing 767-300 da EuroAtlantic esteve envolvido em dois voos de retorno ao Recife no início de junho, quando iniciava a operação inaugural da Azul para Madri. À época, a aeronave regressou ao aeroporto de origem em dias consecutivos por razões técnicas não detalhadas pela companhia. Apesar dos incidentes, o jato permanece certificado e agora será deslocado para a capital mineira.

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Imagem: melhoresdestinos.com.br

O rearranjo de frota ocorre em momento de alta procura por viagens aos Estados Unidos, especialmente durante o verão no hemisfério norte. A Azul ainda não divulgou se haverá mudanças na quantidade de frequências semanais ou no horário das partidas, mas confirmou que a substituição de aeronaves entra em vigor de forma imediata. Clientes que já possuem bilhetes emitidos devem receber informações atualizadas pelos canais oficiais da transportadora.

A companhia também não informou por quanto tempo pretende manter o 767-300 na rota para a Flórida nem se busca outras alternativas de aeronaves próprias ou arrendadas. Conforme fontes do setor, o cenário dependerá de eventuais recursos que a HiFly possa apresentar junto ao DOT, bem como da disponibilidade de novos equipamentos dentro do mercado de locação ACMI.

Além da Azul, outras companhias latino-americanas e europeias recorrem a contratos similares para suprir lacunas temporárias na frota. O formato garante que os voos sejam mantidos mesmo diante de atrasos na entrega de aviões novos ou indisponibilidade de tripulantes, mas exige flexibilidade operacional e comunicação clara com o consumidor para minimizar eventuais transtornos.

Enquanto aguarda definição sobre a decisão do regulador norte-americano, a Azul reforça a recomendação de que passageiros consultem os detalhes do voo antes do embarque, sobretudo no que diz respeito ao tipo de aeronave e aos serviços oferecidos a bordo. A empresa afirmou que trabalha para reduzir o impacto das mudanças e manter o cronograma de voos internacionais com o menor número possível de ajustes.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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