Passagens aéreas registram redução de preços no Brasil, aponta FecomercioSP

Leonardo Monteiro

O valor médio das passagens aéreas no mercado brasileiro apresenta trajetória de queda, segundo dados expostos por Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP. As informações foram divulgadas durante o Eventos em Off, encontro de gestores de viagens corporativas promovido pelo Club Med e pela Alagev no Club Med Paradise, em Mogi das Cruzes (SP).

Ao analisar o comportamento dos preços, Dietze destacou que a redução ocorre de forma geral em todo o País, ainda que variações pontuais possam surgir em determinados trechos ou segmentos. Para o dirigente, o movimento descendente reflete uma combinação de fatores macroeconômicos que impactam diretamente os custos operacionais das companhias aéreas.

Fatores que contribuem para o recuo

Duas variáveis têm se mostrado decisivas para o alívio nos preços: o câmbio e a cotação internacional do petróleo. Segundo o executivo, a relativa estabilidade do barril de petróleo no mercado externo mantém o valor do combustível de aviação sob controle. Paralelamente, a desvalorização do dólar frente ao real reduz despesas denominadas na moeda norte-americana, uma vez que cerca de 60% dos custos do setor aéreo estão atrelados ao dólar.

Entre esses custos dolarizados estão manutenção de aeronaves, arrendamento, seguros, taxas de leasing e, principalmente, o querosene de aviação (QAV). Como o insumo representa parcela significativa das despesas das empresas, qualquer redução na cotação internacional ou no câmbio impacta imediatamente a formação do preço final da passagem.

Efeito sobre o consumidor e as empresas

Com o menor custo operacional, as companhias aéreas conseguem repassar parte do alívio aos bilhetes vendidos ao consumidor final. A tendência favorece tanto viajantes a lazer quanto passageiros corporativos, segmento foco do evento que reuniu gestores na região metropolitana de São Paulo.

Embora Dietze tenha ressaltado que determinados mercados possam registrar ajustes pontuais, a média nacional indica um cenário mais favorável para quem pretende viajar de avião. O movimento de queda nos preços, conforme afirmou, deve estender-se ao longo de 2025 e manter-se como perspectiva para 2026, caso as condições externas do petróleo e do câmbio continuem estáveis.

Importância da cotação do QAV

O querosene de aviação é precificado com base no valor do petróleo tipo Brent, acrescido de margens de refino, impostos e custos de distribuição. Nos últimos meses, a cotação do Brent permaneceu em patamar relativamente estável, o que impede oscilações bruscas no preço do QAV repassado às companhias nacionais. Ao mesmo tempo, a queda do dólar reduz o montante em reais desembolsado pelas empresas para adquirir o insumo.

Nesse contexto, as transportadoras obtêm maior previsibilidade de gastos e podem planejar políticas tarifárias com maior antecedência. Além disso, a menor pressão nos custos pode incentivar a ampliação de rotas ou o aumento da oferta de assentos, fatores que também colaboram para tarifas mais competitivas.

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Imagem: panrotas.com.br

Perspectivas até 2026

Os dados apresentados pelo presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP indicam que, mantidas as condições atuais, existe espaço para continuidade na trajetória de redução ou, ao menos, para manutenção de preços em níveis mais baixos em comparação a períodos anteriores de forte alta nos combustíveis.

Dietze também lembrou que o setor de aviação ainda se recupera dos efeitos da pandemia, e a estabilização dos custos pode acelerar esse processo. Caso o câmbio permaneça em patamar favorável e o petróleo não apresente elevação expressiva, a tendência apontada para 2026 é de bilhetes mais acessíveis, contribuindo para a retomada plena do turismo nacional e internacional.

Impacto no turismo corporativo

O Eventos em Off reuniu gestores de viagens que representam um público responsável por alto volume de bilhetes anuais. Para esse segmento, mesmo variações modestas nos preços geram economia relevante. Ao conhecer as perspectivas de mercado, empresas podem ajustar orçamentos, planejar agendas de eventos presenciais e renegociar contratos com fornecedores aéreos.

Além de beneficiar empresas, a tendência de redução dos preços pode estimular a realização de eventos em destinos que antes eram considerados onerosos. Isso potencializa a demanda por hospedagem, locação de veículos e outros serviços associados à cadeia turística.

Cenário regional e variações específicas

Apesar do recuo médio, Dietze alertou que determinadas rotas podem sofrer pressões específicas, seja por fatores de oferta e demanda, seja por questões operacionais de cada companhia. Destinos com menor competitividade ou com sazonalidade acentuada podem apresentar preços acima da média nacional. O monitoramento constante das tarifas torna-se, portanto, essencial para identificar oportunidades e evitar surpresas.

Em linhas gerais, as informações compartilhadas no encontro sinalizam um ambiente mais favorável para quem pretende viajar de avião nos próximos anos. A combinação de câmbio em queda, petróleo estável e redução no custo do QAV forma o tripé que sustenta a tendência de bilhetes mais baratos, repercutindo positivamente em todo o ecossistema do turismo brasileiro.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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