O Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, voltou a receber pousos e decolagens no fim da tarde desta terça-feira (30) depois de permanecer aproximadamente 12 horas fechado. A interdição foi provocada por um vazamento de óleo hidráulico na pista principal, incidente que afetou mais de 170 voos entre cancelamentos, alternâncias e atrasos, conforme dados da Infraero e das companhias aéreas.
A ocorrência teve início por volta das 3h, durante serviço de manutenção preventiva. Um caminhão desemborrachador, utilizado para remoção de borracha acumulada no asfalto, apresentou falha no motor e derramou óleo sobre o pavimento. Embora o veículo não transportasse combustível, o material comprometeu o nível de atrito da superfície, gerando risco operacional e levando à suspensão total das operações às 6h.
Segundo a Infraero, todos os recursos disponíveis foram acionados de imediato. Equipes especializadas em manutenção aeroportuária trabalharam na aplicação de produtos químicos, esfregação mecânica e lavagem sob alta pressão para eliminar resíduos e restaurar as condições de segurança. O processo exigiu cuidado adicional devido à composição do asfalto da pista, que utiliza mistura porosa para facilitar escoamento de água.
Os trabalhos de limpeza foram concluídos no início da noite, permitindo a reabertura gradativa do terminal. Para mitigar o acúmulo de atrasos, a autoridade aeroportuária autorizou a extensão do horário de funcionamento além do limite habitual das 23h, possibilitando que companhias programassem voos extras e reacomodassem passageiros ainda na mesma data.
O impacto na malha aérea foi significativo. De acordo com a Gol Linhas Aéreas, 50 voos precisaram ser cancelados e outros nove foram alternados para o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão). A empresa informou que todas as decisões seguiram protocolos de segurança e que clientes afetados receberam opções de reacomodação ou reembolso conforme a regulamentação.
A Azul também registrou cancelamentos de partidas e chegadas no Santos Dumont, além de transferir operações para o Galeão. A companhia destacou que está reorganizando itinerários sem custos adicionais aos passageiros, seguindo os critérios da Resolução nº 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

Imagem: Reprodução via brasilturis.com.br
Já a Latam Airlines Brasil acompanhou as estimativas de liberação da pista e disponibilizou alternativas, incluindo voos adicionais partindo do Galeão para absorver a demanda. A empresa reforçou que canais de atendimento foram ampliados para agilizar remarcações.
A Anac reiterou que clientes com voos cancelados ou atrasados em mais de quatro horas têm direito à assistência material gratuita. O suporte varia conforme o tempo de espera e pode incluir itens como comunicação, alimentação, hospedagem e transporte entre aeroportos. Passageiros também podem optar pelo reembolso integral da passagem ou pela reacomodação em outro voo, inclusive de companhias diferentes, na primeira oportunidade disponível.
Durante todo o dia, filas se formaram nos balcões de atendimento e muitos clientes relatavam dificuldade para remarcar trechos, especialmente em conexões com horários limitados. Equipes de solo distribuíram vouchers de alimentação e organizaram transporte para quem aceitou reembarcar pelo Galeão.
Com a retomada das operações e a ampliação temporária do horário de funcionamento, a expectativa do setor é de que a malha aérea seja normalizada de forma gradual até o fim da semana. As companhias orientam passageiros a checar o status de seus voos antes de se deslocarem ao aeroporto e a manterem dados de contato atualizados nos sistemas das empresas para receber comunicados em tempo real.



