O Superior Tribunal de Justiça (STJ) autorizou a continuidade do projeto turístico-imobiliário Maraey, em Maricá, na Costa do Sol fluminense. Em decisão colegiada da Segunda Turma, a Corte rejeitou os recursos que impediam o andamento do empreendimento, concluindo uma disputa que se estendeu por mais de 13 anos na esfera de licenciamento ambiental. Com o aval judicial, as obras podem ser retomadas de imediato.
Localizado a 45 quilômetros da cidade do Rio de Janeiro, Maraey prevê investimentos de R$ 4 bilhões apenas na primeira fase. O aporte envolve a implantação de infraestrutura urbanística, equipamentos de lazer, sistemas de energia e soluções de preservação de áreas naturais da restinga. A proposta combina hotelaria de padrão internacional, residências, espaços de convenções e iniciativas de capacitação profissional.
Três hotéis da rede Marriott
O componente hoteleiro do complexo representa um dos eixos centrais do plano de negócios. A Marriott International confirmou três unidades no local, incluindo a estreia da bandeira Ritz-Carlton Reserve no Brasil. O portfólio também contará com um hotel JW Marriott e um terceiro empreendimento, ainda sem nome anunciado. Juntos, esses estabelecimentos têm objetivo de posicionar Maricá como novo polo de turismo de alto padrão no Estado do Rio de Janeiro, oferecendo acomodações de luxo, serviços personalizados e ofertas gastronômicas voltadas a viajantes exigentes.
Além dos quartos e vilas, o projeto hoteleiro abrangerá um centro de convenções desenhado para receber eventos corporativos, feiras e encontros internacionais. A estratégia é diversificar a demanda ao combinar lazer e negócios durante todo o ano, reduzindo a sazonalidade típica do litoral.
Parceria com escola suíça de hotelaria
Outro pilar anunciado é a criação de uma academia de hospitalidade em cooperação com o grupo suíço EHL – Escola de Hotelaria de Lausanne. A instituição, reconhecida globalmente pela formação em gestão hoteleira, assumirá a responsabilidade de estruturar cursos voltados à qualificação de mão de obra local e nacional. O objetivo declarado é alinhar os padrões de serviço do destino aos requisitos internacionais da indústria de luxo, fortalecendo a oferta de profissionais para o próprio complexo e para outros empreendimentos turísticos do país.
Enfoque socioambiental
Os gestores do projeto afirmam que o modelo de desenvolvimento incorpora diretrizes de sustentabilidade ambiental e social. De acordo com o CEO de Maraey, Emilio Izquierdo, a decisão do STJ demonstra segurança jurídica para avançar em programas de recuperação de ecossistemas, gestão de recursos hídricos e integração com comunidades vizinhas. Já o diretor-executivo David Galipienzo sustenta que o empreendimento pretende “liderar pelo exemplo” na combinação de rentabilidade e responsabilidade ecológica, embora detalhes sobre metas de preservação não tenham sido divulgados nesta etapa.

Imagem: panrotas.com.br
Licenciamento prolongado
O processo de licenciamento ambiental começou em 2010 e incluiu análises de impacto, audiências públicas e sucessivas ações judiciais. Órgãos estaduais autorizaram o empreendimento, mas grupos contrários recorreram ao Judiciário, alegando riscos ao bioma de restinga. A Segunda Turma do STJ, entretanto, concluiu que os estudos apresentados atendem aos requisitos legais e que a intervenção proposta não fere a legislação de proteção costeira. Com esse entendimento, caiu a última liminar que bloqueava a execução das obras.
Próximos passos
Com a liberação, a incorporadora retoma a contratação de fornecedores, a mobilização de equipes de engenharia e a negociação com operadores turísticos. A expectativa é iniciar os trabalhos físicos ainda neste semestre, começando pela infraestrutura básica de acesso, saneamento e energia. Datas de abertura dos hotéis serão definidas após o avanço das etapas iniciais, mas projeções preliminares apontam inaugurações escalonadas dentro de cinco a seis anos.
Maraey passa, assim, a integrar a lista de projetos de grande porte em desenvolvimento no litoral brasileiro, combinando capital estrangeiro e nacional. A decisão do STJ encerra uma fase de incerteza jurídica e marca o início de um calendário que envolve obras civis, comercialização de lotes residenciais e implantação de serviços dedicados ao turismo internacional.
Com o respaldo judicial, Maricá consolida-se como cenário de novos investimentos voltados à economia do visitante, em um mercado que busca diversificar a oferta de experiências de luxo no país.




