O custo das passagens aéreas continua a ser um entrave para a expansão do turismo na América Latina. Levantamento da empresa de inteligência de viagens Mabrian, que analisou projeções de tarifas para os próximos seis meses, indica variações significativas nos preços internos, regionais e intercontinentais, capazes de redefinir a competitividade dos destinos até o fim de 2025.
Baixa frequência de voos reflete barreiras de preço
Segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) incluídos na pesquisa, os cidadãos latino-americanos realizam, em média, 0,65 voo por ano. A marca é muito inferior aos 2,5 voos anuais observados na América do Norte e aos 4,5 registrados na Espanha. A frequência reduzida reforça a percepção de que o preço das passagens ainda restringe a mobilidade regional e o crescimento econômico associado ao turismo.
Análise abrange sete mercados
A Mabrian avaliou tarifas publicadas por agências de viagem on-line para voos diretos de ida em rotas domésticas, entre países latino-americanos e em ligações com Estados Unidos e Europa. O recorte abrangeu sete destinos de grande relevância na região: Argentina, Chile, Uruguai, Brasil, Colômbia, Peru e México.
Tendências nas rotas domésticas
O comportamento das tarifas internas varia de forma expressiva entre os países:
- Argentina e México apresentam recuos anuais de 10%.
- Colômbia registra queda de 6,6%.
- Chile e Brasil apontam avanço superior a 10%, com aumentos de 11,3% e 12,2%, respectivamente.
- Peru mantém estabilidade, com leve alta de 1,7%.
Em relação aos valores médios, as passagens domésticas mais baratas estão no Chile (US$ 69) e no Peru (US$ 70). Colômbia (US$ 83), Uruguai (US$ 98) e Argentina (US$ 105) ficam na faixa intermediária, enquanto México (US$ 128) e Brasil (US$ 135) apresentam os níveis mais altos. Países com preços internos menores vêm capturando maior parcela da demanda regional, de acordo com a consultoria.
Conexões dentro da América Latina
Nos voos entre países latino-americanos, o levantamento identificou os seguintes preços médios:
- Colômbia: US$ 245
- Peru: US$ 309
- Brasil: US$ 419
- México: US$ 474
Ao comparar com o mesmo período de 2024, a Colômbia lidera os aumentos, com alta de 8,6%. O Uruguai segue com 7,8%, enquanto Chile, Peru e Argentina variam entre 1,6% e 3,6%. Em sentido oposto, México e Brasil apresentam retrações de 7,1% e 8,4%, respectivamente. Mesmo após a queda, Brasil e México continuam sendo os únicos mercados em que a tarifa média para ligações regionais ultrapassa US$ 400.

Imagem: panrotas.com.br
Rotas para os Estados Unidos em queda
Na ligação com os Estados Unidos, todas as rotas avaliadas exibem diminuição de preço em relação ao ano anterior. A redução mais acentuada ocorre no Chile, onde as tarifas caem 50,3%. Brasil (-25,3%) e Argentina (-24,9%) também registram recuos importantes. Colômbia (-14,4%), México (-9,2%) e Peru (-8,0%) completam o cenário de baixa.
Europa tem tendência oposta, exceto para o Brasil
Enquanto as tarifas para os Estados Unidos cedem, os preços rumo à Europa sobem na maior parte dos mercados latino-americanos. Aumento moderado é observado em Peru (+2,4%), Chile (+2,5%), Argentina (+4,4%) e Uruguai (+4,5%). Colômbia (+13,0%) e México (+16,5%) apresentam variações mais expressivas. O Brasil foge à tendência regional e projeta queda de 6,5% nas passagens para o continente europeu.
Desafios e oportunidades
Especialistas da Mabrian apontam que uma malha aérea mais ampla, com ampliação de rotas e maior número de operadores, é fundamental para reduzir custos e estimular a demanda. A diversificação de companhias e a existência de alternativas competitivas são vistas como fatores capazes de tornar as viagens aéreas mais acessíveis a uma parcela maior da população latino-americana.
A evolução dos preços nos próximos meses será decisiva para a definição das estratégias de atração turística dos países analisados. Reduções em rotas estratégicas podem favorecer destinos com estrutura preparada para receber visitantes, enquanto altas persistentes tendem a deslocar o fluxo para mercados onde o transporte aéreo permaneça mais econômico.
Com a retomada gradual do turismo global, a dinâmica das tarifas na América Latina passa a ser um indicativo relevante para investidores, governos e setores ligados à cadeia de viagens. Monitorar essas variações permitirá ajustar políticas de incentivo, promover novas conexões e, sobretudo, ampliar o acesso da população regional ao transporte aéreo.




