O desempenho da hotelaria na América Latina durante o primeiro semestre de 2025 mostra um setor em franca evolução, apoiado por investimentos em novas construções, incremento da receita por apartamento disponível (RevPAR) e adoção crescente de soluções tecnológicas. Levantamento da plataforma de gestão hoteleira My Hotel, que concentrou dados divulgados por diferentes instituições especializadas, detalha quatro movimentos que devem continuar a moldar o mercado regional ao longo do ano.
1. Construções em ritmo acelerado
Os números compilados até o fim do primeiro trimestre indicam 715 projetos hoteleiros em desenvolvimento, totalizando 112.598 quartos. O volume representa aumento de 18 % no total de empreendimentos e de 11 % na quantidade de unidades habitacionais em relação ao mesmo período de 2024. Para todo o exercício de 2025, estão previstas 97 inaugurações, responsáveis por 16.080 quartos adicionais. O avanço destaca a busca dos investidores por ampliar a oferta em destinos corporativos e de lazer, acompanhando a retomada da demanda de viagens na região.
2. RevPAR impulsionado por eventos de grande escala
Brasil, Peru e Chile lideraram o crescimento da receita por apartamento disponível até junho. A expansão é atribuída à combinação de taxas de ocupação elevadas e tarifas médias mais altas, resultante tanto da recuperação do turismo doméstico quanto da chegada de visitantes internacionais. Outro fator decisivo foi a realização de espetáculos de grande porte, como turnês de artistas internacionais, entre eles Shakira, e apresentações em estádios que atraíram público expressivo. A concentração desses eventos em capitais e cidades secundárias contribuiu para elevar a procura por hospedagem, beneficiando a performance financeira dos estabelecimentos.
3. Redes globais reforçam presença em mercados-chave
Mesmo diante de cenários econômicos voláteis, grupos internacionais seguem ampliando operações na América Latina. Accor, IHG e Marriott mantêm ritmo de expansão por meio de conversões, aberturas inéditas e parcerias com investidores locais. A estratégia inclui tanto hotéis de marcas econômicas, voltados ao público corporativo, quanto empreendimentos de faixas média e alta, destinados ao turismo de lazer. A diversificação geográfica visa diluir riscos cambiais e aproveitar oportunidades em destinos com infraestrutura turística consolidada ou em desenvolvimento.

Imagem: panrotas.com.br
4. Tecnologia assume protagonismo na experiência do hóspede
Ferramentas de automação, coleta de feedback em tempo real e plataformas inteligentes de gestão interna passaram a receber maior fatia dos orçamentos hoteleiros. Estudos do setor indicam que as empresas priorizam sistemas capazes de personalizar a jornada do cliente, antecipar necessidades e agilizar processos operacionais. A integração de aplicativos de check-in sem contato, chaves digitais e análise de dados comportamentais fomenta ganhos de eficiência e reforça a satisfação do visitante, refletindo diretamente nos indicadores de reputação online.
Os quatro vetores — expansão física, desempenho financeiro, investimento estrangeiro e adoção tecnológica — apontam para uma hotelaria latino-americana cada vez mais competitiva, com maior capacidade de atender um público diversificado em viagens de lazer, negócios ou eventos de grande magnitude.




