A liderança nacional do União Brasil fixou para esta sexta-feira, 26 de setembro, o prazo final para que Celso Sabino comunique oficialmente sua saída do Ministério do Turismo. A decisão, tomada após reunião da Executiva, ocorre em meio ao retorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de Nova York, onde participou da Assembleia Geral da ONU. Sabino havia sinalizado que conversaria com Lula antes de qualquer definição, mas o partido decidiu manter a data-limite, ainda que conceda margem de tolerância até o fim da semana.
Dirigentes da sigla avaliam que o ministro já concordou, nos bastidores, em atender à solicitação. Segundo integrantes da cúpula partidária, Sabino foi orientado a deixar o cargo para preservar sua filiação e viabilizar uma candidatura ao Senado em 2026. A permanência no Ministério é vista internamente como ponto de atrito, pois o partido cobra alinhamento mais rígido de seus quadros no Executivo federal.
Embora o União Brasil ocupe espaço relevante no governo, a legenda enfrenta pressões regionais e negocia maior coesão de suas bancadas antes do ciclo eleitoral do próximo ano. Nesse contexto, a manutenção de Sabino no primeiro escalão tornou-se foco de divergência entre o Palácio do Planalto e a direção partidária. A saída do ministro é considerada, pelos dirigentes, uma forma de evitar conflitos internos e consolidar a estratégia eleitoral da sigla.
Do lado do governo, o presidente Lula ainda busca reversão do cenário. De acordo com interlocutores, ele pretende realizar uma última rodada de conversas para tentar manter Sabino no posto, considerado estratégico na articulação política e na agenda econômica voltada ao turismo. A ideia do Planalto é evitar novas substituições em ministérios ocupados por legendas aliadas, preservando o equilíbrio na Esplanada e a base de apoio no Congresso.
No início de setembro, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reuniu-se com Lula no Palácio da Alvorada para reforçar o espaço de Sabino e contornar a pressão interna. Mesmo com o gesto, a Executiva Nacional do União Brasil manteve a orientação de desligamento, interpretando que a continuidade do ministro poderia fragilizar a disciplina partidária.
Celso Sabino, por sua vez, avalia que a permanência na sigla é essencial para seu projeto político de disputar o Senado em 2026. Para evitar desgaste, o ministro sinalizou disposição de entregar o cargo, desde que preserve o apoio interno e mantenha diálogo institucional com o governo. A saída, portanto, tende a ser anunciada de maneira negociada, sem ruptura pública entre Sabino, o partido e o Palácio do Planalto.

Imagem: Renato Vaz via brasilturis.com.br
O possível desligamento desperta atenção no setor de turismo, que acompanha a execução de programas e a continuidade de investimentos iniciados nos últimos dois anos. Sob a gestão de Sabino, o ministério ampliou repasses a projetos de infraestrutura turística, expandiu linhas de crédito a empresas do segmento e estreitou relações com entidades internacionais, como a ONU Turismo. Alguns desses projetos envolvem preparação para grandes eventos que o Brasil deve sediar, e mudanças na pasta podem alterar prazos e interlocutores.
Além disso, negociações sobre parcerias com redes hoteleiras, ações de promoção no exterior e atualização de políticas de incentivo fiscal ainda estão em curso. Técnicos do ministério avaliam que a transição deve ser conduzida de forma a não comprometer cronogramas, em especial os que dependem de consolidação orçamentária até o fim do ano. Interlocutores lembram que eventuais ajustes de equipe exigem novos despachos administrativos, podendo retardar liberações de recursos federais para estados e municípios.
Até o momento, o União Brasil não tornou público nenhum nome para substituir Sabino, e o governo tampouco indicou se pretende manter a pasta sob controle da legenda. Caso o desligamento se confirme, a escolha de um novo titular deverá envolver negociações entre Planalto, líderes partidários e bancadas regionais, considerando o equilíbrio político no Congresso.
A definição sobre o futuro de Celso Sabino deverá ser anunciada até o encerramento da semana. A expectativa é que o ministro apresente sua carta de demissão ao presidente Lula dentro do prazo fixado pela sigla, consolidando uma saída consensual. Se confirmada, a movimentação atenderá à estratégia do União Brasil de reforçar sua unidade interna, ao mesmo tempo em que obriga o governo a realinhar a composição ministerial antes do próximo período legislativo.




