A United Airlines recebeu autorização da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) para operar seu primeiro voo comercial equipado com o serviço de internet via satélite Starlink, desenvolvido pela SpaceX. A estreia está marcada para 15 de outubro, em um Boeing 737-800 que decolará do aeroporto de Newark, em Nova York, em direção a um destino ainda não divulgado. Essa liberação representa a conclusão do processo de alteração do Certificado de Tipo Suplementar (STC) que habilita o uso do equipamento em aeronaves do mesmo modelo dentro da frota principal da companhia.
A aprovação chega menos de cinco meses após o primeiro teste com passageiros em um jato regional Embraer 175 e ocorre em um intervalo inferior a um ano desde que a United assinou com a SpaceX o que descreve como o maior acordo do setor para fornecimento de wi-fi de alta velocidade. O objetivo é oferecer conexão gratuita e confiável aos membros do programa MileagePlus em todas as aeronaves de operação principal e regional.
Segundo dados divulgados pela empresa, o sistema Starlink já está presente em mais da metade da frota regional, composta por jatos como o Embraer 175. A instalação avança a um ritmo aproximado de 50 aeronaves por mês, o que deve acelerar a cobertura em voos domésticos de curta e média duração. Com a certificação para o 737-800, a companhia inicia a expansão do serviço para rotas de longa distância operadas pela frota principal, que inclui outros modelos da Boeing e da Airbus.
O Starlink funciona por meio de uma constelação de milhares de satélites em órbita baixa, permitindo velocidades de conexão que a United estima em até 250 megabits por segundo por aeronave. A empresa afirma que a capacidade é suficiente para atividades de streaming de vídeo, jogos on-line, compras em tempo real e demais serviços digitais demandados pelos passageiros, sem a necessidade de pagamento adicional a bordo.
Grant Milstead, vice-presidente de Tecnologia Digital da United, declarou que a avaliação dos clientes nas rotas regionais tem sido positiva e que, com a inclusão do 737-800, um número maior de viajantes terá acesso à mesma experiência de conectividade. De acordo com a companhia, a iniciativa faz parte de um conjunto mais amplo de investimentos em entretenimento a bordo, que inclui novos sistemas de assentos, atualização de telas individuais e expansão de conteúdo sob demanda.
No mercado global, várias transportadoras vêm firmando acordos para fornecer internet em voo, mas a parceria entre United e SpaceX se destaca pelo modelo de oferta gratuita e pela meta de cobertura integral. A implementação exige a instalação de antenas com tecnologia de varredura eletrônica no topo das aeronaves, além de roteadores internos, cabos de rede e ajustes de software que integram os componentes ao sistema de entretenimento de bordo.
Do ponto de vista regulatório, o STC emitido pela FAA confirma que a modificação estrutural atende aos requisitos de segurança aeronáutica, incluindo resistência aerodinâmica, compatibilidade eletromagnética e redundância de energia. Cada modelo de aeronave precisa passar por certificação própria, motivo pelo qual a United busca aprovações individuais para as diferentes séries de sua frota, como Boeing 737 MAX, 757, 767, 777 e Airbus A321XLR, cujas entregas estão programadas para os próximos anos.
Além de melhorar a experiência do usuário, a disponibilidade de wi-fi rápido e estável possibilita que a companhia ofereça serviços complementares baseados em dados, como rastreamento em tempo real de bagagens, atualizações operacionais durante o voo e compras de produtos duty-free com entrega em domicílio. A United também explora parcerias comerciais para veicular publicidade segmentada nas páginas de login e nos aplicativos de bordo.

Imagem: panrotas.com.br
A introdução da internet via satélite reflete uma tendência de digitalização acelerada no setor aéreo, impulsionada pela demanda de passageiros por conectividade contínua. Levantamentos de mercado indicam que, antes da pandemia, menos de 30% das companhias aéreas globais ofereciam wi-fi gratuito em qualquer classe de serviço. Com a iniciativa anunciada, a United se posiciona entre as primeiras operadoras norte-americanas a estender a gratuidade a toda a frota, sem limitar o acesso a planos básicos ou a uma franquia de dados.
Para o passageiro, o processo de conexão será semelhante ao adotado atualmente nos voos regionais: após ativar o modo avião, basta selecionar a rede “United_WiFi” e inserir o número de fidelidade MileagePlus ou, caso não seja membro, efetuar um cadastro sem custos. O sistema libera a navegação logo após a altitude de cruzeiro ser alcançada, permanecendo disponível até o início da descida.
Com a data de 15 de outubro confirmada para o primeiro voo em operação principal, a United pretende acelerar o escalonamento do serviço ao longo de 2025. A companhia não divulgou prazos específicos, mas reiterou o objetivo de equipar a maior parte de sua frota de fuselagem estreita até o fim do próximo ano e avançar sobre os aviões de fuselagem larga usados em rotas transoceânicas em seguida.
Enquanto a expansão ocorre, a SpaceX continua lançando satélites para ampliar a cobertura e a capacidade do Starlink. A expectativa é que a densidade de satélites em órbita reduza a latência e garanta velocidades consistentes mesmo em rotas polares ou sobre oceanos, onde a conectividade tradicional via solo não está disponível. Esse avanço técnico é visto pela United como fundamental para oferecer qualidade uniforme em voos intercontinentais.
Com a autorização regulatória, o cronograma de instalação em ritmo de 50 jatos regionais por mês e a inclusão de aeronaves de maior alcance, a United dá mais um passo para consolidar sua estratégia de conectividade global. O embarque no Boeing 737-800 com Starlink, em 15 de outubro, marcará o início da fase operacional do projeto na frota principal da companhia.




