WestJet elimina a reclinação em assentos da classe econômica e passa a cobrar por poltronas com ajuste

Leonardo Monteiro

A companhia aérea canadense WestJet anunciou uma mudança estrutural na disposição de suas cabines que afeta diretamente os passageiros da classe econômica. A partir de agora, os assentos da categoria padrão em aeronaves Boeing 737 não terão mais a função de reclinar. Clientes que desejarem ajustar o encosto precisarão optar por poltronas localizadas nas seções Premium ou Extended Comfort, ambas comercializadas por valores superiores às tarifas básicas.

De acordo com a empresa, a nova configuração tem como objetivo estabelecer diferentes níveis de produto a bordo, alinhados a perfis variados de viajantes. A vice-presidente executiva, Samantha Taylor, afirmou que o layout busca oferecer, ao mesmo tempo, opções de baixo custo para quem prioriza preço e alternativas com maior espaço para pernas e conforto para quem aceita pagar mais por esses benefícios.

A transição será implementada de forma gradual. A WestJet planeja ter os primeiros 43 aviões equipados com a nova distribuição de assentos em operação até o fim de outubro deste ano. Já as aeronaves que entrarem na frota a partir do início de 2026 deverão sair de fábrica seguindo o mesmo padrão, consolidando a estratégia em toda a linha de Boeing 737 da companhia.

Com a retirada da reclinação nos assentos econômicos, passageiros que escolherem a tarifa mais acessível encontrarão encostos fixos, mantendo, contudo, as demais características já oferecidas nesse segmento. Quem desejar o recurso de reclinar passará a contar com duas alternativas pagas: o assento na cabine Premium, que é comercializado como uma categoria superior, ou o assento Extended Comfort, posição intermediária entre a econômica tradicional e a área premium.

Segundo a transportadora, a remodelação pode trazer ganhos adicionais de organização no ambiente de cabine. A companhia considera que, ao padronizar encostos fixos na classe econômica, reduz-se a possibilidade de atritos entre passageiros, situação comum quando a reclinação interfere no espaço de quem viaja na fileira traseira.

A decisão surge em um período no qual o setor aéreo vem buscando novas fontes de receita sem perder de vista a experiência do cliente. Cobrar por elementos que antes faziam parte do serviço básico, como seleção de assentos ou despacho de bagagem, é uma prática cada vez mais comum entre companhias de diferentes portes. A movimentação da WestJet se insere nesse contexto, introduzindo a cobrança direta por um recurso historicamente oferecido de forma padrão.

Para acomodar a mudança, a empresa projetou três zonas distintas dentro do Boeing 737. A parte dianteira continuará ocupada pela cabine Premium, com maior largura e espaço entre fileiras. Logo atrás, a seção Extended Comfort apresentará fileiras econômicas com possibilidade de reclinação e alguns centímetros extras para as pernas. A zona remanescente, que ocupa a maior parte do avião, passará a abrigar os assentos econômicos sem reclinação.

Todos os demais serviços a bordo permanecerão inalterados, incluindo opções de entretenimento, serviço de bordo padrão e políticas de bagagem de mão. A companhia não divulgou, até o momento, quanto custará reservar um assento Premium ou Extended Comfort em cada rota, alegando que os valores variam conforme destino, demanda e período do ano.

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Imagem: panrotas.com.br

O cronograma divulgado estipula que a adaptação da frota em atividade ocorrerá paralelamente ao recebimento de novos aviões. Técnicos e equipes de manutenção da WestJet atuarão na substituição dos assentos atualmente instalados, enquanto os futuros Boeing 737 chegarão de fábrica já configurados com as três zonas definidas.

Especialistas do setor apontam que a iniciativa poderá influenciar concorrentes que operam modelos de voo semelhantes, pois amplia a segmentação do produto dentro de um mesmo corredor. No entanto, fontes da indústria ouvidas por diferentes veículos ressaltam que a reação dos passageiros será determinante para definir se a estratégia resultará em aumento de receita ou necessidade de ajustes no plano de negócios.

Internamente, a WestJet argumenta que a divisão de cabines melhora a transparência dos preços, pois o cliente passa a escolher exatamente quais atributos deseja adquirir. Para a empresa, o passageiro que considera a reclinação indispensável pode selecionar a fileira adequada, enquanto quem prioriza a tarifa mais baixa continuará com acesso ao serviço essencial sem custos adicionais.

Profissionais de atendimento da companhia já estão recebendo treinamento específico sobre as novidades, com ênfase na comunicação clara durante o processo de vendas e no embarque. O material de divulgação será atualizado para refletir as características de cada zona, evitando surpresas aos viajantes que ainda não conhecem a nova proposta.

À medida que os primeiros 43 Boeing 737 adaptados entrarem em operação até outubro, a WestJet pretende monitorar indicadores de satisfação e eventuais reclamações para calibrar processos. Caso o cronograma avance conforme o previsto, a transição completa da frota deverá estar encaminhada até o início de 2026, quando os aviões recém-fabricados integrarão o padrão definitivo da companhia.

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Me chamo Leonardo Monteiro, Graduado em Gestão Comercial e proprietário do Instituto Brasileiro de Ensino Técnico e Profissionalizante (IBETP), que já formou mais de 10 mil alunos desde 2015. Casado com Cristiane Mariele, sou pai da Mariana e da Julia.Carioca de nascença, atuei por mais de uma década como auditor de ativos e gestor no setor farmacêutico, viajando pelo Brasil entre 2009 e 2022. Apesar da rotina intensa, foi só mais tarde que descobri o prazer de viajar com propósito: sem pressa, com emoção e liberdade.Hoje, além de educador, compartilho experiências autênticas que unem conhecimento, inspiração e transformação.
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